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Karina ligada a contrato de R$ 108 milhões com prefeitura e filme de Bolsonaro

Contrato de R$ 108 milhões entre a prefeitura e ONG de Karina Ferreira da Gama é alvo de apuração; relação com filme de Bolsonaro é investigada

Karina Ferreira da Gama é apontada como ligada ao deputado federal Mario Frias (PL-SP), responsável pelo roteiro de “Dark Horse”. Foto: reprodução
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  • A jornalista Karina Ferreira da Gama, dona do Instituto Conhecer Brasil, é apontada como ligada à prefeitura de São Paulo por um contrato de R$ 108 milhões para instalação de cinco mil pontos de internet wi‑fi em vias públicas; já existem 3,2 mil pontos em funcionamento.
  • A investigação envolve a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, que apontam irregularidades como falta de concorrência, ausência de experiência da ONG e pagamento de 26 milhões sem prestação de serviço comprovada.
  • Karina também comanda a produtora Go Up Entertainment, ligada ao filme Dark Horse, biografia de Jair Bolsonaro; a produtora não registrou lançamentos de filmes no Brasil ou no exterior.
  • O roteiro do filme é atribuído ao deputado federal Mario Frias; a produção teria recebido patrocínio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mas a prefeitura afirma que o filme não recebeu dinheiro público.
  • A prefeitura de São Paulo afirma que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil foi firmado em junho de 2024, que a produção do filme começou depois e que a SPCine foi consultada apenas para autorizações de filmagem, mantendo a linha de que não houve recursos municipais destinados ao filme.

Karina Ferreira da Gama, listada como responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), é alvo de investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo por um contrato de 108 milhões de reais com a Prefeitura de São Paulo. A apuração envolve a expansão de internet via wi‑fi em vias públicas da capital.

Além do ICB, Karina comanda a Go Up Entertainment, produtora associada ao longa Dark Horse, biografia de Jair Bolsonaro. A produção recebeu patrocínio de um empresário ligado ao setor financeiro, mas a empresa de Karina não registrou lançamentos de filmes no Brasil ou no exterior, segundo dados da Ancine solicitados pela reportagem.

Os documentos apontam que Karina também registra outras duas empresas no órgão: a Go7 Assessoria e a Upcon Serviços Especializados Ltda., com atuação ligada a Goiás. Ainda não há confirmação de que essas empresas tenham produzido obras audiovisuais.

Contexto da investigação

O contrato com a Prefeitura de São Paulo previa a instalação de 5 mil pontos de internet wi‑fi em vias públicas. A execução começou em 2024 e a meta era completar as instalações em 2025. Até o momento, cerca de 3,2 mil pontos foram instalados.

A Promotoria do Patrimônio Público e Social abriu a primeira investigação em fevereiro, após denúncia de irregularidades na licitação e na experiência da ONG na gestão de redes de wi‑fi. A apuração atual foi encaminhada pelo Ministério Público à Polícia Civil.

A promotora Fabíola Cezarini mencionou suspeitas de ilegalidades, como falta de expertise da ONG, recebimento de 26 milhões sem comprovação de prestação de serviço e ausência de concorrência. Houve ainda questionamento sobre possível uso de empresa pública para outra contratação a menor custo.

Relação com o cinema

A ligação entre a ONG de Karina e a produtora do filme sobre Bolsonaro não integra, até o momento, a linha de investigações da Promotoria. Fontes da Polícia Civil indicaram que o tema poderá ser avaliado se surgirem indícios de repasse de recursos públicos para empresas associadas à empresária.

A Prefeitura de São Paulo afirmou que o filme Dark Horse não recebeu recursos municipais e que não há relação entre a contratação do ICB e a produção cinematográfica. A gestão de Ricardo Nunes informou que o contrato com o ICB foi assinado em junho de 2024, e que a autorização para filmagens ocorreu em outubro de 2025, seguindo o trâmite padrão da SPCine.

Boatos e posicionamentos

Segundo a prefeitura, o modelo de pagamento por ponto ativo evita desperdício de recursos públicos. Em resposta, Karina não foi localizada para comentar à época, mas posteriormente reagiu a críticas nas redes sociais, defendendo a legalidade dos projetos sociais e a atuação de suas empresas.

O caso permanece em aberto, com a investigação em andamento e novas informações podem alterar o entendimento sobre as ligações entre as empresas envolvidas e eventuais repasses de recursos públicos.

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