- Foram ouvidos 4.080 moradores, com 1.020 em cada comunidade (Alemão, Penha, Maré e Rocinha), entre 13 e 31 de janeiro.
- Nove em cada dez reprovam operações policiais com confronto armado; 73% não concordam com o modelo atual, 25% discordam e 2% não responderam.
- Em relação ao formato, 92% reprovaram o modelo atual, 68% defendem que as operações ocorram de outra forma e 24% entendem que não deveriam haver operações em favelas.
- A maioria vê abusos: 91% percebem excessos e ilegalidades, 90% consideram esses abusos inaceitáveis e 95% dos que discordam repudiam a brutalidade; entre os que apoiam, 74% também condenam abusos.
- O medo da polícia é amplo: 78% dos moradores afirmam sentir medo durante as ações, sendo 85% entre os contrários e 59% entre os que apoiam as operações.
Nove em cada dez moradores de comunidades do Rio reprovaram operações policiais com confronto armado. O levantamento ouviu moradores de Alemão, Penha, Maré e Rocinha entre 13 e 31 de janeiro, em 4.080 entrevistas presenciais. O estudo aponta insatisfação com o modelo de atuação atual e seus impactos no cotidiano.
Entre os entrevistados, 73% discordam do formato vigente das operações, enquanto 25% aprovam e 2% não responderam. Ao questionar se as ações devem seguir o modelo atual, 92% reprovam, 68% defendem novas formas de agir e 24% entendem que não deveriam existir operações em favelas.
Mesmo quem apoia as ações, apenas 20% defende o modelo atual. A maioria ressalta que é necessário entender o processo como parte de um contexto maior, que envolve políticas públicas e a relação da população com a polícia.
Violência e direitos
A pesquisa indica que 91% percebem excessos ou ilegalidades nas operações; esse índice sobe para 95% entre quem discorda das ações. Entre apoiadores, 74% também condenam abusos, mostrando que concordar com operações não implica tolerar violência.
A restrição de circulação aparece como principal impacto, citado por 51% dos que discordam e 41,5% dos que concordam. Invasões em domicílios, estabelecimentos e veículos também se destacam entre os efeitos.
Educação e cotidiano
Eliana Sousa Silva, coordenadora do estudo, destaca impactos na vida cotidiana, como deslocamento para trabalho e escola. No Complexo da Maré, com cerca de 140 mil habitantes, escolas municipais sofrem com interrupções frequentes.
A pesquisadora ressalta a necessidade de tratar os moradores como sujeitos com direito à cidade, não apenas como alvos de intervenção policial. O medo da presença de blindados e o uso de armas pesadas são citados como fatores que afetam crianças e jovens.
Raça, juventude e racismo
A discordância é maior entre pretos (81%), enquanto a concordância é mais comum entre brancos (30%). A percepção de racismo nas operações é relatada por 61% dos entrevistados, com 13% dizendo que isso ocorre às vezes e 25% que não.
Os jovens de 18 a 29 anos são os mais contrários às operações (79%). O estudo associa esse posicionamento à maior exposição à violência e às dinâmicas de criminalização.
Segurança pública e eleições
Em 2025, a letalidade na Maré subiu 58% frente a 2024. Eliana Silva defende caminhos alternativos de combate ao crime sem ampliar o uso de armas. A pesquisadora critica a destinação de verbas públicas para aquisição de fuzis.
Ao longo do levantamento, ficou claro que muitos moradores não apoiam novos confrontos semelhantes. A pesquisa sugere que propostas futuras devem considerar o impacto humano e a garantia de direitos nas comunidades.
Entidades envolvidas e apoio
A pesquisa foi realizada por Fala Roça, Frente Penha, Instituto Papo Reto, Raízes em Movimento, Redes da Maré e A Rocinha Resiste. Contou com apoio de universidades, fundações e organizações ligadas à segurança cidadã.
FONTE: Redes da Maré, Agências e organizações parceiras, com divulgação por meio da Agência Brasil.
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