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PF investiga emenda de Flávio para ONG ligada a esquema dos irmãos Brazão

PF investiga emenda de R$ 199 mil de Flávio Bolsonaro a ONG associada aos Brazão, intermediada por Peixe, por possível desvio de verbas

Senador Flávio Bolsonaro participa de uma vigília após a prisão de Bolsonaro pela Polícia Federal, encerrando meses de prisão domiciliar, em Brasília, Brasil, em 22 de novembro de 2025. REUTERS/Mateus Bonomi
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  • A Polícia Federal investiga a emenda de R$ 199 mil de Flávio Bolsonaro para a ONG Ifop, suspeita de ligação com os irmãos Brazão, em novembro de 2023.
  • Quem intermediou o envio foi Robson Calixto Fonseca, o “Peixe”, policial militar da reserva já condenado pela morte de Marielle Franco.
  • A apuração questiona se o repasse integrou um esquema de desvios de verbas públicas comandado pelo grupo dos Brazão, ligado ao TCE-RJ e à Assembleia.
  • Entre 2020 e 2024, segundo a PF, as entidades indicadas receberam cerca de R$ 268 milhões via emendas, liberados por ministérios e repassados a organizações indicadas pelo “Peixe”.
  • Em outubro de 2023 houve troca de mensagens entre a assessora de Flávio e Peixe; em 29 de novembro a Ifop recebeu o recurso; a ONG afirma ter prestado contas e devolvido valores não usados.

A Polícia Federal está investigando uma emenda parlamentar enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a uma ONG suspeita de ligação com o grupo dos irmãos Brazão. A apuração identifica o envio como ocorrido em novembro de 2023, um mês depois de um assessor de Domingos Brazão ter procurado o gabinete de Flávio no TCE-RJ.

A emenda, no valor de R$ 199 mil, destinou-se ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), sediado em uma sala comercial na Taquara, Zona Oeste do Rio. A PF aponta o policial militar da reserva Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, como intermediário do repasse e operador dos bastidores para defender interesses do grupo Brazão.

Intermediário e ligações com o grupo Brazão

Peixe, já condenado por organização criminosa na investigação da morte de Marielle Franco, é apontado pela PF como elo entre deputados, senadores e as entidades beneficiadas. O gabinete de Flávio negou que tenha de acompanhar a aplicação de emendas por terceiros.

A Ifop afirmou que não possui relação formal ou informal com Peixe ou com os irmãos Brazão e que os recursos foram aplicados em um projeto de aulas de futebol para crianças. A defesa dos Brazão e do ex-assessor do TCE-RJ não respondeu aos questionamentos.

Contexto de desvio de verbas e repasses

A PF investiga o esquema de desvio de verbas públicas via ONGs desde que quebrou o sigilo de Peixe no inquérito da morte de Marielle. Em mensagens, Peixe seria responsável por captar recursos para entidades ligadas ao grupo Brazão, segundo o relatório.

A apuração aponta que as ONGs indicadas receberam cerca de R$ 268 milhões entre 2020 e 2024, repassados por parlamentares. Após a indicação, os recursos seriam liberados por ministérios, com cobranças de despesas pelo grupo dos Brazão.

Operações associadas e Praças de evento

Entre as mensagens, há registros de a PF relatando a compra de 20 bicicletas e a tentativa de obter um helicóptero. Em 17 de dezembro de 2023, Chiquinho Brazão participou de evento em Jacarepaguá para apoiar a candidatura de um sobrinho, com distribuição de brindes, incluindo bicicletas.

A PF também cita que Peixe pediu depósito de R$ 100 mil em uma empresa dirigida pela filha dele, com comprovantes enviados ao celular. Em novembro de 2023, a emenda de Flávio foi confirmada pelos sistemas de pagamento do governo, com a Ifop recebendo os R$ 199 mil.

Situação da Ifop e próximos passos

Criada em 2008, a Ifop afirma atuar em projetos sociais nas áreas de esporte, inclusão social e educação. Em 2023, recebeu reconhecimento na Câmara Municipal do Rio. Além de Flávio, a entidade já recebeu outra emenda em agosto de 2024, no valor de R$ 1,5 milhão, indicados por Chiquinho Brazão.

Flávio Bolsonaro informou, por meio de sua assessoria, que não cabe a ele auditar a aplicação de emendas por terceiros. A ONG afirmou ter prestado contas ao governo e devolvido parte de recursos não utilizados, conforme nota enviada.

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