- Câmara aponta Guilherme Boulos como entrave na negociação da PEC da fim da escala 6×1 e na discussão sobre transição.
- Em almoço da Frente Parlamentar, o relator Leo Prates disse ter sido questionado por Boulos sobre a transição e afirmou que o ministro não apoiaria nenhum modelo de transição.
- Boulos afirmou ser contra a transição e citou preocupação com trabalhadores, mantendo posição de não abrir dispositivo constitucional para esse fim.
- Deputados adversos ao governo criticaram a postura de Boulos, enquanto o governo foi citado como buscando diálogo e apoio do Congresso para regular a matéria.
- A condução sobre regulamentação de apps permanece sob escrutínio: grupo de trabalho coordenado por Boulos mostrou propostas com piso de até R$ 10, que enfrentaram resistência e foram retiradas por falta de apoio.
Após críticas na Câmara sobre a condução da PEC do fim da escala 6×1, o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, passou a ser apontado como entrave por parlamentares que o veem inflexível no tema da transição. A cobrança ocorreu durante almoço da Frente Parlamentar do Comércio e Serviços, que contou com o relator, deputado LeoPrates.
Relator apresentou que o ministro foi consultado previamente e reiterou não apoiar qualquer forma de transição, segundo relato de Prates. O debate ocorreu no contexto da negociação da PEC que altera a jornada de trabalho, com foco na retirada gradual da escala 6×1.
Boulos já havia sido criticado por ter posição firme sobre a transição, conforme relatos vindos de fontes da comissão. Em resposta, parlamentares defenderam que há espaço para acordo com a aprovação de regras de transição, ainda que a decisão final dependa de instâncias superiores.
Ao longo do encontro, Prates sugeriu a inclusão de um prazo explícito de transição no texto, o que teria sido recusado pelo ministro. A ideia era remeter o tempo de transição a dispositivo constitucional, com posterior regulamentação por projeto de lei.
Diversos deputados reforçaram críticas à postura do ministro. Um deles ressaltou a necessidade de separar as ações do governo da condução do Congresso e de evitar acusações de hostilidade institucional. Outros aliados defenderam que o governo deve buscar solução conjunta com o Legislativo.
Em resposta, Boulos afirmou que não há apoio a qualquer formato de transição e esclareceu que reduzir a oposição à regra de transição visa proteger os trabalhadores. O ministro também ressaltou que o tema envolve decisões políticas complexas e que não pretende antecipar votações sem consistência.
A negociação sobre a regulamentação para trabalhadores de aplicativos também segue sob escrutínio. O tema, em discussão desde agosto de 2025, envolve propostas de um piso mínimo para motoristas de apps e outras compensações, com divergências entre governo, Câmara e plataformas.
O órgão técnico responsável pelo tema, um grupo de trabalho coordenado por Boulos, já apresentou propostas de ajuste de regras, incluindo valores de piso para serviços de transporte. Em momentos posteriores, houve mudanças de pauta na Câmara devido à falta de apoio político e de plataformas ao texto inicial.
Ao final, deputados reiteraram que a discussão precisa ocorrer com diálogo e sem desgaste entre Executivo e Legislativo. Apele-se para que as instâncias competentes encontrem um caminho que preserve a estabilidade econômica e proteja trabalhadores, sem comprometer o equilíbrio fiscal do país.
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