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Desembargadora denuncia racismo em mercado: sem a toga, sou apenas corpo preto

Desembargadora Adenir Carruesco relata racismo no mercado e afirma que, sem a toga, é vista como servidora; debate sobre baixa representatividade negra no Judiciário

A desembargadora Adenir Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho do Mato Grosso
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  • A desembargadora do Trabalho Adenir Carruesco relatou ter sido abordada dentro de um mercado por uma mulher que perguntou preços e localização, acreditando que a magistrada trabalhava lá.
  • Em vídeo, Carruesco afirmou: “sem a toga sou apenas mais um corpo preto”, destacando que o problema é a lógica que a sociedade reproduz, não o ato isolado da outra pessoa.
  • Ela ingressou na magistratura em outubro de mil novecentos e noventa e quatro e foi promovida a desembargadora em dois mil e vinte e um; já chegou a presidir o Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, no Mato Grosso.
  • Dados do Censo do Poder Judiciário, do Conselho Nacional de Justiça, de dois mil e vinte e três, mostram que setenta e duas por cento a mais da metade da magistratura é branca? (Censo aponta oitenta e dois vírgula cinco por cento de brancos; apenas um vírgulo quatro por cento negros; treze vírgula seis por cento pardos; homens somam sessenta e nove vírgos três por cento.)
  • No debate sobre a vaga no Supremo Tribunal Federal, observa-se pressão para indicar uma mulher negra; havia sugestões e judicialização, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu Jorge Messias, que foi rejeitado na sabatina, e não há definição atual sobre o nome.

A desembargadora do Trabalho Adenir Carruesco relatou um episódio de racismo vivido no último fim de semana, em um supermercado. Segundo o relato, uma cliente insistiu em saber preços e a localização de produtos ao pensar que Carruesco trabalhava no local. Carruesco publicou o relato nas redes sociais no domingo, 17, em Mato Grosso.

Na publicação, a magistrada afirmou que, sem a toga, é tratada como qualquer pessoa comum, destacando que a visão de parte da sociedade sustenta uma lógica que reduz negras a serviçais. Ela ressaltou que o problema não foi a atitude da cliente, mas a lógica subjacente que precisa ser desmontada.

Carruesco ingressou na magistratura em 1994 e foi presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, que atua em Mato Grosso. Ela mencionou ainda a baixa representatividade de pessoas negras, sobretudo mulheres, no STF e nos tribunais superiores, citando dados do CNJ de 2023: 82,5% dos magistrados são brancos; 1,4% negros e 13,6% pardos; 59,3% são homens.

Realidade no Judiciário brasileiro

A desembargadora destacou a pouca presença de magistrados negros e pediu reflexão sobre o tema, sem atribuir culpas às pessoas diretamente envolvidas na situação. Dados oficiais apontam que a representatividade ainda está aquém do ideal para a composição da Justiça.

Contexto político e institucional

O texto também aborda o debate sobre indicações ao STF após a antecipação da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. O presidente Lula indicou inicialmente um nome, que não foi aprovado pelo Senado, e há rumores sobre uma nova apresentação.

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