- O Superior Tribunal de Justiça recebeu nove documentos com um “comando invisível” para enganar a inteligência artificial, enviados a gabinetes de cinco ministros pela advogada Matheus Pelzl.
- O STJ abriu inquérito para apurar o caso e responsabilizar criminalmente os advogados envolvidos.
- O comando oculto pedia que a IA gerasse um relatório positivo de admissibilidade, com texto branco sobre fundo branco para dificultar a leitura humana.
- Os ministros que receberam os documentos foram Antonio Saldanha Palheiro, Luis Felipe Salomão, Marco Aurélio Bellizze, Og Fernandes e Regina Helena Costa, em datas entre julho de 2025 e fevereiro de 2026.
- Pelzl atribuiu a responsabilidade a um ex-funcionário do escritório; o caso de PT Gradação anterior envolvendo advogadas do TRT-8 já resultou em condenação por atentado à dignidade da Justiça.
O Superior Tribunal de Justiça recebeu no último ano nove documentos protocolados com um “comando invisível” para enganar a inteligência artificial, segundo levantamento da Coluna do Estadão. Os textos, com “prompt injection”, foram enviados a gabinetes de cinco ministros da Corte por meio do advogado Matheus Pelzl, de 28 anos, atuando em Campo Grande (MS). O STJ abriu inquérito para apurar o caso.
De acordo com a apuração, o conteúdo oculto foi inserido nos pareceres apresentados ao tribunal, em que a IA deveria processar o documento e gerar um relatório de admissibilidade com base em regras específicas. Os documentos foram recebidos pelos ministros Antonio Saldanha Palheiro, Luis Felipe Salomão, Marco Aurélio Bellizze, Og Fernandes e Regina Helena Costa, em datas entre julho de 2025 e fevereiro de 2026.
Na decisão recente, o STJ confirmou a abertura do inquérito para responsabilizar criminalmente advogados envolvidos no episódio. A coluna destacou que, no Maranhão, o caso ganhou atenção por envolver tentativas de influenciar a avaliação de processos pela IA usada pela Justiça.
Contexto e posição do advogado
Matheus Pelzl atribuiu a responsabilidade a um ex-funcionário do escritório, disse ter atuado sem conhecimento dos sócios e afirmou que houve falha de compliance documental. O advogado também ressaltou que a replicação uniforme do comando oculto ocorreu por falha no modelo de uso de documentos, não por planejamento de fraude.
Segundo Pelzl, o ex-funcionário admitiu a autoria e a direção do escritório comunicou o Poder Judiciário de forma voluntária, antes de apurações oficiais, para cumprir com o dever ético. O escritório informou que disponibiliza todas as provas e documentos às autoridades competentes.
Desdobramentos e contexto judicial
O caso envolve a tentativa de induzir a IA a produzir informações favoráveis a uma das partes ou a uma minuta de sentença. A magistratura destacou que esse tipo de conduta pode configurar má-fé processual e atentatória à dignidade da justiça. O TRT-8, em decisão anterior, já havia condenado advogadas envolvidas em episódio semelhante, com base em ataques à integridade dos sistemas de IA da Justiça.
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