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Advogado de Vorcaro abandona defesa de banqueiro durante tratativas de delação

Com a recusa da Polícia Federal à delação, o advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, encerra a defesa de Vorcaro, aumentando o desgaste e o atraso nas tratativas

À esquerda, o advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca. À direita, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
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  • O advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou a defesa de Daniel Vorcaro, conforme afirmou ao blog de Andréia Sadi, em decisão de “comum acordo”.
  • A saída ocorre pouco mais de dois meses após ele assumir o caso e coincide com a rejeição pela Polícia Federal da primeira proposta de delação premiada por omissões graves.
  • A PF alegou que o documento não trazia dados suficientes sobre transações envolvendo políticos, citando o senador Ciro Nogueira, e tinha mais função de defesa do que de revelação.
  • O Ministério Público manteve as tratativas, mas o relator no Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça, permanece resistente a homologar acordo sem novas provas.
  • O banqueiro permanece preso desde 4 de março; a negociação de delação envolve alta pressão para ampliar o conjunto de relatos, com proposta financeira aumentando de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões.

O advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou a defesa do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A saída foi confirmada pelo próprio jurista, em comum acordo, pouco mais de dois meses após assumir o caso em março. Vorcaro está detido desde 4 de março sob suspeita de chefiar um esquema de fraudes no Sistema Financeiro Nacional.

A renúncia coincide com a recusa da Polícia Federal à primeira proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro. Para os agentes, o documento continha omissões graves relacionadas a fatos já descobertos nas apurações. Foram apontadas lacunas sobre transações envolvendo políticos investigados, como o senador Ciro Nogueira.

A Procuradoria-Geral da República informou que as tratativas com os advogados continuam e pediu complementos à proposta. Ainda assim, o clima em Brasília é de ceticismo quanto à viabilidade do acordo, especialmente se o eventual despacho final ficar a cargo do procurador-geral Paulo Gonet.

Relator do STF mantém posição rígida

O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, sinalizou que não homologará acordo sem provas consistentes. A avaliação é de que a colaboração premiada beneficia quem está preso, e os investigadores possuem meios para avançar sem depender da fala do empresário. A resistência envolve também a percepção de seletividade nos dados fornecidos.

Fontes próximas ao STF indicam que houve discussões internas sobre o conteúdo da proposta, com Mendonça sendo alertado de que apenas um celular apreendido já pode sustentar grande parte das informações. A defesa não apresentou fatos substancialmente novos para justificar o acordo.

Novo empurrão financeiro e mudanças na defesa

Diante do acúmulo de negativas, relatos indicam que Vorcaro admite ampliar o escopo do que pode relatar e, assim, aumentar o valor da adesão. A meta financeira estaria estimada em elevar o ressarcimento e multa de 40 bilhões para 60 bilhões de reais aos cofres públicos.

A condução das negociações permanece com o advogado Sérgio Leonardo, que já atua de forma habitual com o cliente. Ainda não houve anúncio oficial de substituto para preencher a vaga deixada por Juca. Paralelamente, a defesa solicitou a transferência de Vorcaro da sede da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda. A justificativa é melhorar as condições de custódia.

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