- A Polícia Federal recusou a proposta de acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e as negociações passam a depender da Procuradoria-Geral da República.
- A defesa alega que ainda há informações relevantes a entregar, mas a PF entende que o material apresentado não acrescenta evidências novas à investigação.
- O caminho seguinte pode ser a delação unilateral, na qual Vorcaro colaboraria durante a investigação para obter punições menores, mesmo sem acordo formal.
- Qualquer acordo com a PGR precisará ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal, com o relator ministro André Mendonça acompanhando as tratativas.
- Em novembro o banco foi liquidado por suspeitas de fraudes bilionárias; Vorcaro já esteve preso preventivamente e chegou a ficar em prisão domiciliar antes de novo encarceramento.
A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e as negociações passaram a depender da atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão, ainda não definitiva, foi motivo de reavaliação sobre as informações que Vorcaro poderia entregar em troca de benefícios, como redução de pena ou perdão judicial.
O banco foi liquidado em novembro por suspeitas de fraudes bilionárias, e Vorcaro foi preso pela primeira vez nesse contexto. Ele chegou a ficar em regime de prisão domiciliar, mas foi novamente detido preventivamente no início de março. A PF entende que o material oferecido não acrescentaria informações relevantes à investigação.
Segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, existe a possibilidade de Vorcaro apresentar uma delação unilateral caso a PGR também rejeite o acordo formal. Nessa hipótese, o acusado entregaria mais provas e nomes de cúmplices durante a investigação, buscando reduzir penas sem um acordo celebrado.
Especialista cita ainda que, mesmo sem acordo, o STF já autorizou que benefícios sejam concedidos na sentença, o que envolve riscos para quem não tem garantias sobre o que pode receber. Assim, a saída restante seria firmar acordo com a PGR ou aceitar o alto risco de seguir sem benefícios.
A depender da PGR, o acordo precisará ainda ser homologado pelo STF, sob a supervisão do ministro André Mendonça. A avaliação envolve a necessidade de que as informações apresentadas consolidem evidências da operação criminosa, com possibilidade de desmantelar o grupo ou ampliar o processo contra outras pessoas.
Operações da PF desde novembro já apreenderam celulares e materiais de Vorcaro e de outros alvos, como o cunhado dele, apontado como operador financeiro. Vazamentos indicaram contatos com autoridades, que foram negados pelos citados, entre eles o ministro Alexandre de Moraes e o senador Ciro Nogueira, ambos sem envolvimento comprovado.
Ainda segundo o material divulgado, houve menção a negociações com o senador Flávio Bolsonaro para liberação de recursos para um filme em homenagem ao ex-presidente; Bolsonaro reconheceu que o banqueiro financiou a obra, mas sem qualquer vantagem ilícita alegada. As informações estão sob apuração das autoridades.
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