- Gilmar Mendes afirma que a crise envolvendo o Banco Master é sistêmica, não uma falha exclusiva do STF, citando possíveis falhas da CVM e do Banco Central.
- O ministro diz que as ligações entre ministros do STF e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro estão sendo investigadas pelas autoridades competentes.
- A defesa da recusa do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no STF é vista como puramente política, atribuindo falhas à articulação do governo Lula.
- Mendes defende a 14ª edição do Fórum de Lisboa (Gilmarpalooza), mesmo diante de críticas pela participação de autoridades investigadas; afirma que não há controle sobre o evento.
- Sobre o inquérito das fake news, o ministro sustenta a necessidade de mantê-lo aberto diante do acirramento eleitoral, ressaltando a importância de fiscalização institucional.
Gilmar Mendes, ministro do STF, afirmou que o escândalo envolvendo o Banco Master não é uma crise exclusiva do Supremo, mas um problema sistêmico que envolve o mercado financeiro e instituições reguladoras. Segundo ele, a crise se alastrou para a Faria Lima e não deve recair apenas sobre o tribunal.
O ministro disse à Folha que não pretende isentar responsabilidades, mas que as falhas parecem ocorrer fora do STF, apontando para a CVM e o Banco Central como parte do problema. A investigação sobre as ligações de autoridades com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro segue em curso pelas autoridades competentes.
Mendes avalia que a recusa do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no STF teve motivação política, não relacionada ao indicado, e atribui falhas de articulação política do governo Lula com o Congresso. O tema gerou amplo debate sobre governabilidade e processo de indicação.
Sobre o Fórum de Lisboa, conhecido como Gilmarpalooza, ele entende que o evento permanece relevante e não vê controle sobre a escolha de participantes estrangeiros. Defende que o código de ética é objeto de avaliação, mantendo que a edição é um dos maiores já realizados, com dezenas de palestrantes.
A atuação de autoridades investigadas, incluindo Vorcaro e outras ligações entre membros do Judiciário e empresários, é citada como assunto em abertura de investigações. Mendes afirma que as relações devem passar pelo devido processo legal, sem apontar culpados antes de informações oficiais.
Questionado sobre o inquérito das fake news, elelica que, diante do acirramento eleitoral, é essencial manter o inquérito para apurar responsabilidades dentro de um marco de equilíbrio institucional. Reforça que a pauta de combate à desinformação não deve ser interrompida.
O ministro também abordou a relação entre ética, transparência e funcionamento do STF. Disse que o CPC e o código de ética interno podem requerer ajustes, desde que haja consenso e respeito às tradições jurídicas do Brasil, sem abrir mão de mecanismos de fiscalização.
Ao tratar de questões de conflito de interesses e parcerias familiares, Mendes reconheceu a necessidade de cautela, lembrando que existem mecanismos legais para coibir abusos, como a Lei Orgânica da Magistratura e a OAB. A conversa aborda ainda as críticas sobre o uso de prisões para obtenção de delação premiada.
Para finalizar, Mendes ressaltou que não há divisão interna no STF em torno do tema, enfatizando a importância de manter a unidade institucional. Reforçou que qualquer avaliação sobre o caso Master deve considerar o devido processo e fontes oficiais, sem tratar julgamentos como conclusões definitivas.
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