- O papa Leão XIV criticou os lucros obtidos à custa do meio ambiente durante visita à Terra dei Fuochi, região da Campânia entre Nápoles e Caserta.
- A área, com cerca de três milhões de habitantes, sofre com descarte ilegal de resíduos tóxicos, queimados a céu aberto, e apresenta contaminação de solos e água e altos índices de câncer.
- O pontífice denunciou a ação do crime organizado e a omissão do poder público, defendendo responsabilidade coletiva e justiça ambiental.
- Cerca de quinze mil fiéis acompanharam o discurso, que ocorreu durante uma visita também ligada ao 11º aniversário da encíclica Laudato Si’.
- A Terra dos Fogos é apontada como símbolo da degradação ambiental na Europa, exigindo políticas de recuperação, saúde pública e monitoramento contínuo.
O papa Leão XIV criticou nesta sábado os lucros obtidos à custa do meio ambiente durante visita à região italiana conhecida como Terra dei Fuochi, no sul do país. Ele apontou a prática de descarte ilegal de resíduos tóxicos e pediu responsabilidade coletiva para enfrentar a contaminação.
A Terra dei Fuochi, entre Nápoles e Caserta, abriga cerca de 3 milhões de pessoas. A área sofre com solos, lençóis freáticos e ar contaminados por metais pesados, dioxinas e poluentes, em meio a índices de câncer acima da média nacional.
Durante a missa de hoje, o pontífice fez críticas à combinação de interesses ocultos com indiferença social, afirmando que o ambiente natural e social foi envenenado. A presença papal reuniu milhares de fiéis na Praça Nicola Calipari.
Nessa visão, moradores destacaram o peso simbólico da visita para despertar consciências sobre o território. Entre eles, Giuseppina De Francesco ressaltou o papel do papa em chamar atenção para a região.
A visita ocorre no marco do 11º aniversário da encíclica Laudato Si, da própria Igreja Católica, que trata de cuidado ambiental. A data reforça o foco em temas de justiça ambiental e saúde pública.
Raízes históricas da crise
A região, também chamada Triângulo da Morte, funciona como área de descarte irregular desde os anos 1980, com empresas delegando resíduos tóxicos para reduzir custos. A Camorra passou a ser atribuída à prática, segundo investigações.
Placas de amianto, pneus e recipientes com substâncias químicas compõem parte do material descartado, muitas vezes queimado ao ar livre, agravando a poluição. Autoridades passam por falhas de fiscalização.
Parlamentares apontaram indícios de conivência com o esquema em algumas etapas da investigação, ampliando o debate sobre políticas de recuperação. Movimentos civis pressionam por respostas institucionais.
Chamado à responsabilidade coletiva
Em seu discurso, o Papa reforçou a necessidade de responsabilidade compartilhada para proteger o ambiente e a saúde da população. A fala ocorreu diante de cerca de 15 mil fiéis reunidos na região.
Leão XIV destacou que a região sofreu perdas humanas e sofrimento de crianças e adultos, enfatizando o papel de ativistas e organizações que denunciaram a situação ao longo dos anos.
Segundo o pontífice, a atuação de esses grupos foi essencial para dar visibilidade ao problema e mobilizar a sociedade em defesa do meio ambiente e da saúde pública. A visita compõe a agenda pastoral do pontífice na Itália neste verão.
A agenda papal inclui, ainda neste verão, passagem pela ilha de Lampedusa, ligada à crise migratória no Mediterrâneo. O governo vaticano associa pautas ambientais e sociais a questões globais de desigualdade.
No caso da Terra dos Fogos, as ações de recuperação devem combinar medidas de longo prazo com monitoramento contínuo da contaminação, segundo especialistas. A cobertura da visita é promovida pela AFP.
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