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Tragédia de 23 de maio foi gatilho da Revolução de 1932, aponta inquérito

Vinte e três de maio de mil novecentos e trinta e dois, mortes na Praça da República impulsionaram a Revolução Constitucionalista em São Paulo

Demonstração no centro de São Paulo em 1932: conflito armado foi a última guerra civil brasileira. (Foto: Wikimedia)
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  • Em vinte e três de maio de mil novecentos e trinta e dois, na esquina da praça da República com a rua Barão de Itapetininga, ocorreu um tiroteio durante protesto contra Getúlio Vargas, deixando quatro jovens do MMDC mortos.
  • Os manifestantes pretendiam empastelar a sede do Partido Popular Paulista, que foi atingida por tiros vindos de dentro do edifício.
  • Um quinto participante, Orlando de Oliveira Alvarenga, ficou ferido e morreu em agosto; outros presentes também ficaram feridos.
  • O inquérito policial que investigou o episódio estava perdido e só foi encontrado em dois mil e treze por uma comissão de pesquisadore s do Tribunal de Justiça de São Paulo, contendo necropsias e depoimentos.
  • Trechos do documento apresentam depoimentos de testemunhas descrevendo a massa popular, os disparos e as mortes, além de laudos cadavéricos das vítimas.

A Revolução Constitucionalista de 1932 ganhou impulso após um protesto em São Paulo ter deixado vítimas em 23 de maio daquele ano. Quatro jovens da organização civil MMDC — Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade — morreram no confronto ocorrido na esquina da Praça da República com a rua Barão de Itapetininga. Um quinto manifestante, Orlando de Oliveira Alvarenga, também ficou ferido e faleceu em agosto.

O grupo confrontava o governo de Getúlio Vargas, em apoio à autonomia de São Paulo. O episódio chamou a atenção para o clamor regional que viria a caracterizar a Revolução de 1932, marcada por tensões entre o governo federal e segmentos locais. O inquérito policial que investigou o ataque ficou perdido por décadas e só foi localizado em 2013 por uma comissão de pesquisadores do TJ-SP. O documento tem 78 páginas e reúne necropsias e relatos de sobreviventes.

Trechos do inquérito sobre os acontecimentos

Relatos de testemunhas descrevem que a multidão, estimada em mais de 300 pessoas, foi ao encontro da sede do Partido Popular Paulista, na Praça da República. Os disparos teriam vindo de dentro do prédio e de áreas próximas, com ferimentos graves em várias pessoas, inclusive nos jovens citados. Um dos depoentes informou ter sido atingido por uma bala calibre 32 e ter procurado tratamento na Santa Casa.

Outros depoimentos relatam que, ao deixar seus serviços, testemunhas ouviram tiros vindos da sede e presenciaram uma reação violenta do lado externo. Um dos homens afirmou ter visto muitos com fuzis entre a multidão e descreveu que, mesmo sem armas, houve troca de tiros prolongada. Os relatos também mencionam uma tentativa de empastelar a sede do Partido Popular Paulista, frustrada pelo conflito.

Foram apresentados laudos de necropsia que apontaram as causas das mortes: hemorragia interna provocada por ferimentos de arma de fogo, com danos no pulmão e na medula espinhal. Entre os feridos, destacam-se Dráuzio Marcondes de Souza, então com 14 anos, que viria a falecer dias depois, e Orlando Alvarenga, com ferimentos graves. O inquérito também descreve o estado de saúde dos feridos e os tratamentos realizados na época.

O material pericial inclui, ainda, descrições detalhadas dos corpos de Miragaia, Camargo Andrade e Almeida, indicando como as lesões contribuíram para o desfecho trágico. O conjunto de depoimentos e laudos compõe um retrato técnico do ocorrido, sem analisar possíveis responsabilidades políticas ou criminais, limitando-se a registrar os fatos e as consequências médicas.

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