- Em entrevista ao WW Especial, o cientista político Rafael Cortez afirma que redes sociais dificultam acordos e moderação na política brasileira.
- Segundo ele, a polarização e a radicalização nas plataformas prejudicam a construção de pontes e renovação política.
- Cortez critica o arranjo político atual por favorecer menos renovação tanto nas eleições presidenciais quanto nas legislativas.
- Ele aponta que a cláusula de barreira e o modelo de financiamento de campanhas ampliam a concentração de poder, favorecendo grandes partidos.
- O especialista ressalta que, apesar da historicamente concentração da eleição presidencial, há preocupação com a dificuldade de renovação também no Congresso, devido ao sistema proporcional.
O cientista político Rafael Cortez, docente do IDP, concedeu ao WW Especial uma análise sobre o papel das redes sociais na política brasileira. Ele aponta que essas plataformas dificultam a construção de acordos e a moderação, elevando a polarização. Segundo Cortez, o arranjo político atual está cada vez menos aberto à renovação, tanto na eleição presidencial quanto nas legislativas.
Para o especialista, o funcionamento das redes se afasta de princípios de pluralidade e respeito às diferenças que sustentam a democracia. A lógica das plataformas tende a ser nichada, com comunicação voltada a públicos específicos, o que reduz a percepção de pontos de convergência entre forças políticas.
A comunicação política nas redes é marcada pela radicalização, segundo Cortez. Enquanto partidos buscam demonstrar a validade de propostas, o ambiente digital tende a amplificar posições extremas e a favorecer a demarcação de fronteiras entre grupos.
Ele ainda criticou reformas políticas implementadas no Brasil, apontando a cláusula de barreira e o modelo de financiamento de campanhas como fatores que ampliam a concentração de poder. Grandes legendas teriam vantagem econômica nas disputas futuras, o que pode frear a entrada de novas siglas.
Cortez ressaltou que, historicamente, a eleição presidencial concentra forças. Contudo, o problema atual envolve também o Congresso. O pesquisador enfatiza que o sistema proporcional deveria favorecer maior diversidade política, o que estaria em risco diante do cenário atual.
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