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Colômbia: eleição marcada por violência e trocas de farpas

Campanha presidencial na Colômbia é marcada por violência e polarização, com candidatos sob ameaça e regiões de risco por grupos armados

Veículos danificados após um ataque na rodovia Pan-Americana, em Cajibío, na Colômbia, em 25 de abril de 2026.
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  • Cerca de 41 milhões de eleitores vão escolher o substituto de Gustavo Petro em 31 de maio; três candidatos disputam o pleito — Iván Cepeda (Pacto Histórico), Paloma Valencia (Centro Democrático) e Abelardo de la Espriella (extrema direita) — e encerram a campanha em Barranquilla.
  • A campanha mostrou polarização e uso intenso das redes sociais, sem debates diretos; houve ataques e falas controversas, como De la Espriella comentando sobre o tamanho de seu órgão sexual para atrair eleitores femininos.
  • Segurança é uma preocupação: regiões com forte atuação de grupos armados apresentam riscos a candidatos e eleitores; cerca de cem municípios não têm garantias de transporte de material eleitoral.
  • Cepeda aparece como favorito nas pesquisas, com Valencia e De la Espriella disputando a segunda vaga; Valencia anunciou como vice Juan Daniel Oviedo, o primeiro homem abertamente gay na chapa presidencial.
  • Houve desinformação durante a campanha, incluindo vídeo com holograma de Cepeda e áudio falso envolvendo dissidentes das Farc, ambos desmentidos pelas autoridades.

Cerca de 41 milhões de eleitores na Colômbia irão escolher o sucessor de Gustavo Petro, em 31 de maio. Três candidatos disputam o pleito: Iván Cepeda (Pacto Histórico), Paloma Valencia (Centro Democrático) e Abelardo de la Espriella, estreante na política. Eles encerraram a campanha em Barranquilla, a quarta cidade mais populosa do país. Fonte: RFI.

Valencia, em terceiro nas pesquisas, reuniu líderes regionais. De la Espriella fez um discurso solitário às margens do rio Magdalena. Já Cepeda optou por concluir o ciclo comício em um bairro popular.

A campanha ocorreu sem debates diretos, com atuação concentrada nas redes sociais e na mídia, em clima de forte polarização. Em programa de TV, De la Espriella citou o tamanho de seu órgão sexual para atrair eleitores femininos. Doze candidaturas disputam a eleição, e Cepeda aparece à frente nas sondagens de primeiro turno.

Clima de insegurança

Os riscos de violência acompanham a campanha. Regiões como Guaviare, Cauca, Antioquia, Meta e Caquetá apresentam ameaças reais a candidatos e eleitores. A Registraduría Nacional aponta falta de garantias de segurança em cerca de cem municípios para o transporte de material eleitoral.

A Missão de Observação Eleitoral ressalta riscos em centenas de cidades, sem evidência de interferência direta no voto. Em junho de 2025, um atentado contra o senador Miguel Uribe, pré-candidato do Centro Democrático, ilustrou o alvo de guerrilhas, paramilitares e máfias. Houve, ainda, ataques em 25 de abril que deixaram cerca de 20 mortos no Cauca.

Nos últimos meses, ocorreram ataques a equipes de Valencia e de De la Espriella. As lideranças atribuíram a violência ao governo. Valencia pediu garantias, enquanto De la Espriella reforçou a imagem de outsider.

Iván Cepeda, o favorito das pesquisas

Cepeda lidera as sondagens e ganhou impulso com a vitória legislativa do Pacto Histórico em março. Observadores destacam que ele depende de manter distância do governo para não carregar seus fracassos. Filho de um líder comunista assassinado, Cepeda é defensor dos direitos humanos e atua com base na chapa com Aida Quilcué, senadora de origem indígena.

Na direita, o choque entre Valencia e De la Espriella pode definir a disputa. Valencia defende linha dura na segurança e posições conservadoras. Ela escolheu um vice, Juan Daniel Oviedo, o primeiro homem abertamente gay em uma chapa presidencial na Colômbia, como tentativa de modernização.

De la Espriella, advogado de perfil outsider, sustenta um discurso radical, com acusações não comprovadas de vínculos com narcotráfico e paramilitarismo. O candidato tem ligações históricas com líderes de grupos paramilitares e já admirou figuras como Salvatore Mancuso, além de ter assessorado o líder das AUC Carlos Castaño.

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