- O vice-presidente de Comunicação da Philip Morris International, Tommaso Di Giovanni, defende regulamentação da venda de produtos sem fumaça no Brasil e critica a proibição de sachês de nicotina.
- Ele afirma que abrir espaço para alternativas reguladas reduz o consumo de cigarros tradicionais e ajuda a combater o mercado ilegal, citando exemplos da Argentina e do México.
- A visão é de que a regulação com fiscalização adequada facilita o controle de acesso de menores e a rastreabilidade, com evidências de queda no uso de cigarros em países que adotaram regras mais flexíveis.
- Di Giovanni diz que, se proibidos, os produtos sem fumaça ajudam a fortalecer o comércio ilícito; com regulação, há maior controle de qualidade e responsabilidade das empresas.
- No Brasil, estima-se que haja entre 22 e 23 milhões de fumantes, cerca de oito milhões de usuários de cigarro eletrônico e aproximadamente 1,5 milhão de consumidores de sachês de nicotina; objetivo é reduzir fumantes e ampliar o uso de alternativas sem fumaça.
Ao defender a regulação da venda de produtos sem fumaça no Brasil, Tommaso Di Giovanni, vice-presidente de Comunicação da Philip Morris International (PMI), pediu aprofundar o debate e rever a proibição de cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e sachês de nicotina. A declaração ocorreu durante entrevista no Technovation 2026, na Suécia, na semana passada.
Di Giovanni afirmou que a América Latina está ganhando espaço para regras mais flexíveis, com foco na redução de danos e no combate ao mercado ilegal. Citou Argentina e México como exemplos de países que revisaram restrições para abrir espaço a alternativas reguladas.
Ele ressaltou que estudos internacionais associam a legalização com fiscalização eficaz e menor consumo de cigarros tradicionais, além de menor venda a menores. Também contestou a ideia de que os novos produtos aumentariam o tabagismo, citando evidências contrárias.
A PMI defende uma abordagem pragmática para reduzir danos. O executivo disse que a proibição total fortalece o comércio ilegal e dificulta o acesso a informações sobre redução de danos, agravando o crescimento do mercado informal no Brasil.
Regulação e fiscalização na prática
Di Giovanni explicou como funciona a venda legal em varejo, com controle de qualidade, responsabilidade das empresas e restrições de venda a menores. Em países com licenciamento, o varejo formal reduz o acesso de jovens aos sachês de nicotina.
Ele citou o exemplo de lojas próprias da PMI, onde funcionários são treinados para evitar vendas a menores. Também mencionou que, em muitos lugares, o comércio regulado oferece melhor supervisão e campanhas de prevenção.
Panorama regional e impactos esperados
Segundo o executivo, a tendência na América Latina é acompanhar modelos europeus e asiáticos que regulamentaram os produtos sem fumaça. A expectativa é reduzir o consumo de cigarro e ampliar a fiscalização sobre acesso de menores, com possível diminuição de danos à saúde pública.
O Brasil, porém, ainda não tem regulamentação consolidada. Di Giovanni destacou a necessidade de ampliar a informação sobre redução de danos e de enfrentar a desinformação associada a casos de lesões pulmonares ocorridos em outros países.
As estimativas da PMI apontam que o Brasil tem cerca de 22 a 23 milhões de fumantes, com cerca de 8 milhões de usuários de cigarro eletrônico e aproximadamente 1,5 milhão de consumidores de sachês de nicotina. A empresa defende que o objetivo é reduzir fumantes e ampliar o uso de alternativas sem fumaça.
Perspectiva sobre o mercado e preços
Questionado sobre precificação, Di Giovanni sugeriu faixas similares ou inferiores às do cigarro premium, dependendo de impostos e políticas regulatórias. O objetivo é incentivar a migração para alternativas menos nocivas.
Ao falar sobre o futuro, o executivo disse que a transição esperada envolve um consumo ainda presente, porém com risco significativamente reduzido em comparação ao cigarro tradicional. A visão é de queda no uso de cigarros com o tempo.
*O jornalista viajou a convite da Philip Morris International*
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