- Artur Gomes da Silva Neto, ex-supervisor da Diretoria de Fiscalização da Fazenda paulista, preso há oito meses, é apontado como mentor de esquema bilionário de propinas com grandes varejistas e atacadistas via devolução antecipada de créditos tributários.
- Em carta de dezenove páginas escrita à mão, ele afirma não ser “dedo-duro” e que está “sobrevivendo dopado” na prisão; critica a condução da delação premiada pelo Ministério Público.
- O Ministério Público de São Paulo sustenta que Artur faltou com a verdade nas tratativas, ocultou fatos relevantes e não declarou R$ 100 milhões em bitcoins; diz que a colaboração ocorreu de boa-fé e sob sigilo legal.
- Investigações apontam que o ex-fiscal recebeu mais de R$ 152 milhões em propinas em 2025 e possuía 277 bitcoins não declarados, avaliados em mais de R$ 100 milhões na cotação de março de 2026.
- Artur afirma que a Operação Fisco Paralelo foi parcialmente baseada em informações dele; relatou temer retaliação na prisão, enquanto o MP afirma manter atuação responsável, dentro dos limites da lei.
Artur Gomes da Silva Neto, ex-supervisor da Difis da Secretaria da Fazenda de São Paulo, está preso desde agosto de 2025 sob suspeita de liderar um esquema bilionário de propinas com grandes varejistas e atacadistas, por meio da devolução antecipada de créditos tributários. Em uma carta escrita à mão e encaminhada à Justiça, ele afirma não ser um delator e diz estar “sobrevivendo dopado” na prisão. O documento tem 19 páginas e critica a condução da delação premiada pelo MP.
A defesa aponta para suposta pressão durante as negociações com promotores do Gedec, o grupo que atua no combate a cartel, lavagem de dinheiro e recuperação de ativos. Artur alega que as tratativas visavam colher informações ilegais e que as condições psicológicas seriam abaladas para forjar declarações.
O Ministério Público de São Paulo rebate com veemência as acusações, dizendo que a delação ocorreu de boa-fé, com transparência e sob sigilo legal. Os promotores destacam que o investigado reconheceu ter recebido propina, mas pretendia devolver apenas uma fração do montante, sob alegação de ter perdido o dinheiro.
Contexto do esquema
Investigadores das operações Ícaro, Mágico de Oz e Fisco Paralelo apontam Artur como mentor do esquema, que envolvia remunerações regulares para facilitar a quitação de créditos tributários. A Promotoria afirma que o ex-fiscal resistiu à devolução total dos valores recebidos.
Segundo o MP, Artur recebeu mais de R$ 152 milhões ao longo de 2025 de uma grande varejista e manteve 277 bitcoins não declarados, avaliados em mais de R$ 100 milhões em março de 2026. A existência das criptomoedas foi localizada em documento apreendido durante a investigação e não havia sido informada na delação.
Declarações de Artur
O ex-fiscal afirmou que a Fisco Paralelo, desdobramento da operação, foi parcialmente baseada em informações fornecidas por ele nas tratativas da delação frustrada. Ele também afirmou temer retaliação para si e para a família.
A Promotoria sustenta que Artur limitava-se a fazer acusações sem base sólida, o que inviabilizou a celebração de acordo. O MP ressalta que não há evidência de credibilidade para sustentar as informações apresentadas pelo réu nesse contexto.
Situação na prisão
Artur descreve dificuldades de sono, medo de circular no pátio e alterações no apetite e na sede, associando tudo a uma condição de saúde mental sob custódia. A defesa afirma que o Ministério Público tenta condená-lo na imprensa, enquanto o julgamento permanece sob responsabilidade do Poder Judiciário.
O MP afirma manter atuação responsável e dentro da lei para esclarecer crimes que teriam causado prejuízo bilionário ao erário, recursos que deveriam atender áreas como saúde, educação e segurança.
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