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IA nas eleições: uso para promover candidatos e atacar adversários

IA amplia arsenal eleitoral: personas digitais, disparos em massa e monitoramento automatizado desafiam regras e elevam riscos jurídicos

Sites brasileiros e no exterior vendem pacotes de seguidores cujo pagamento pode ser feito no Pix, cartão de crédito ou até criptomoedas
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  • A BBC News Brasil identificou e testou ferramentas de IA no marketing eleitoral, nem todas dentro da legalidade.
  • Entre as práticas estão o envio em massa de mensagens pelo WhatsApp com “aquecimento” de números e o uso de IA para disparos organizados.
  • Também há compra de seguidores e de comentários, via plataformas de engajamento em que pessoas reais recebem moedas virtuais para interagir.
  • Há ainda geração automatizada de conteúdos e monitoramento de violações, com possíveis denúncias formais por IA; há risco de raspagem de dados em redes sociais.
  • Especialistas sugerem que a IA amplia a escala e a velocidade das campanhas, mas ressaltam limites legais, riscos de reputação e maior demanda por atuação regulatória e judicial.

O BBC News Brasil investigou o uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais no Brasil. O objetivo foi identificar ferramentas disponíveis no mercado de marketing político e testar como elas operam na prática. A análise destaca tanto usos legais quanto ações potencialmente ilegais.

A reportagem ouviu oito profissionais de marketing digital e examinou plataformas que prometem automatizar tarefas de campanha, desde produção de conteúdo até monitoramento de denúncias. Verificou-se a existência de serviços que simulam atividades em redes e plataformas de mensagens, com diferentes níveis de conformidade com o TSE.

O que está sendo oferecido

Entre as ações observadas, destacam-se o envio em massa de mensagens por WhatsApp, o aquecimento de números para parecerem eleitores, a compra de seguidores e comentários, e a geração de conteúdo em massa por IA. Também foram apresentados sistemas de raspagem de dados e de publicação automática de conteúdos.

Personas digitais e engajamento

Um marqueteiro baiano descreveu a criação de “neurobots” — personas digitais usadas para influjar debates e demonstrar popularidade. Esses perfis, criados com dados demográficos, podem interagir com candidatos em várias redes, em formatos com ou sem conotação positiva.

Engajamento pago e suas vias

Outra prática é a compra de seguidores, com pacotes vendidos no Brasil e no exterior. Em marketplaces, seguidores reais são contratados para seguir, curtir e comentar, mediante moedas virtuais. Em alguns casos, o serviço envolve também prejudicar adversários com aumento de engajamento artificial.

Disparos no WhatsApp e aquecimento de números

A pauta de 2018 sobre disparos em massa por WhatsApp reaparece, agora com IA generativa. Números usados costumam custar entre R$ 15 e R$ 20, com vida útil de meses. O aquecimento envolve inserir o número em grupos e gerar atividade para reduzir a probabilidade de bloqueio.

Monitoramento e denúncia com IA

Sites como BankerJur oferecem monitoramento de possíveis irregularidades e a geração de denúncias a partir de IA, cruzando palavras-chave com normas brasileiras. Plataformas como Polijetro analisam emoção em postagens e ajudam no planejamento de respostas.

Limites legais e avaliação de risco

Especialistas ouvidos ressaltam que usos como chatbots sintéticos podem violar regras do TSE. Pesquisadores destacam que a IA amplia velocidade e escala de tarefas, mas não elimina a necessidade de atuação humana, especialmente no aspecto jurídico.

Impacto para campanhas e Justiça eleitoral

A IA permite ampliar o volume de ações de campanha, inclusive na área regulatória, com potencial para acelerar petições a tribunais eleitorais. Pesquisadores ressaltam a importância da Justiça acompanhar o ritmo acelerado de denúncias geradas por IA.

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