- Documentos do CNJ mostram assessores de Divoncir Maran discutindo uma “gambiarra” para soltar Gerson Palermo, chefe do PCC, em 2020.
- Palermo foi condenado a 126 anos de prisão por tráfico, associação para o tráfico e sequestro de uma aeronave em 2000, e fugiu oito horas após a soltura.
- O desembargador foi aposentado compulsoriamente pelo CNJ por ter autorizado prisão domiciliar a Palermo, extrapolando os limites da atuação judicial.
- Trechos de mensagens sugerem suspeita de venda de sentenças; Maran é um dos alvos da operação Ultima Ratio.
- A defesa do desembargador nega irregularidades e afirma que aguardam acesso à investigação para apresentar defesa.
O CNJ apontou que o desembargador aposentado Divoncir Maran autorizou a prisão domiciliar de Gerson Palermo, chefe do PCC, em 2020, o que motivou a punição disciplinar. Prints de mensagens indicam discussões entre assessores sobre uma possível “gambiarra” para soltura. Palermo já somava condenação de 126 anos.
Palermo foi condenado por tráfico de drogas, associação para o tráfico e pelo sequestro de uma aeronave em 2000. A decisão de soltar ocorreu durante plantão, em meio à pandemia de Covid-19, o que gerou questionamentos sobre a necessidade médica e a periculosidade do criminoso.
Maran foi punido pelo CNJ com aposentadoria compulsória, após avaliação de que a decisão extrapolou os limites da atuação judicial. O relatório também aponta apontamentos sobre movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada do magistrado.
Contexto e desdobramentos
As investigações integram a operação Ultima Ratio, que apura possíveis esquema de venda de sentenças no TJMS. Trechos das mensagens sugerem discussões entre assessores sobre a possibilidade de obtenção de vantagem econômica ligada à soltura.
Palermo já respondia a outras acusações e teve atuação investigada pela Polícia Federal na operação All In, que envolveu a entrada de cocaína em território brasileiro. A análise aponta que o tráfico envolvia transporte por via aérea, seguido de distribuição terrestre.
Defesa e próximos passos
A defesa de Maran afirmou que não houve irregularidade e que o desembargador aguarda acesso à investigação para apresentar defesa. O relatório do CNJ sustenta a necessidade de apurar condutas com base em provas e depoimentos.
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