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Senador da Louisiana ajuda a garantir datacenter da Meta e vendeu terreno ao lado

Senador da Louisiana ajudou a viabilizar o Hyperion da Meta e, em seguida, comercializou terras próximas, levantando questões éticas sobre conflito de interesses

Construction on the Meta datacenter in Holly Ridge, Louisiana, on 6 April 2026.
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  • O senador da Louisiana, John “Jay” Morris, atuou para viabilizar o datacenter Hyperion da Meta em Richland Parish e votou a favor de leis que facilitaram o acordo de terra e benefícios fiscais para a empresa.

Morris e seus sócios compraram e venderam terras ao redor do site nos 15 meses anteriores, incluindo venda de centenas de acres à Entergy para uma usina movida a gás natural.

Especialistas em ética questionam possível violação de regras ao participar de ações oficiais que poderiam lhe trazer ganho financeiro, e não houve divulgação completa das transações.

Morris nega irregularidades, afirma que as terras são públicas e que os benefícios fiscais foram para datacenters de modo geral, não apenas o projeto da Meta.

A série de negócios envolve mudanças na legislação estadual, aquisições de terrenos ligados ao projeto e a participação de Morris em comissões e órgãos de financiamento estaduais.

John “Jay” Morris, senador estadual da Louisiana, foi responsável por facilitar a implantação do datacenter Hyperion, da Meta, em Richland Parish. A apuração indica que ele atuou junto a reguladores, coautorizou leis que viabilizaram o negócio e apoiou reduções fiscais que favoreceram a empresa. Entre 2023 e 2025, ações públicas e privadas passaram a se entrelaçar com os interesses imobiliários ao redor do projeto.

Conforme o levantamento, Morris também movimentou terras ao redor do local. Ele e parceiros de negócios compraram e venderam centenas de acres nas proximidades, inclusive para a construção de uma usina a gás natural que abasteceria o datacenter. As transações ocorreram ao longo de 15 meses, com negócios fechados até fevereiro de 2025, quando áreas próximas foram vendidas à Entergy para atender à demanda energética do Hyperion.

Os vínculos entre o político, a família Franklin e propriedades ao redor do site ganharam relevância porque algumas operações coincidiram com decisões legislativas que beneficiaram a infraestrutura associada ao Hyperion. Experts em ética destacam que há risco de conflito de interesses, dada a participação do senador em votações e na redação de leis de uso de propriedades estatais.

Entergy e o Hyperion

O Hyperion ocupa mais de 3.650 acres e demanda ampliações significativas de energia, com planos para fontes de usinas e linhas de transmissão que podem remodelar a matriz elétrica regional. A Meta afirma que o projeto visa impacto positivo, melhoria de empregos e aporte educacional na região, enquanto a comunidade local aponta efeitos de tráfego intenso e poluição de poeira durante a construção.

Entergy informou que a localização foi escolhida por facilitar infraestrutura necessária e por proximidade ao site da Meta, com acesso a linhas de transmissão, gás natural e vias de transporte. Autoridades estaduais, incluindo Morris, defenderam a continuidade do projeto como parte de um polo de desenvolvimento econômico. LED, agência de desenvolvimento econômico da Louisiana, ressaltou que não houve violação de conduta por parte do senador segundo avaliações oficiais.

Questões éticas e fontes

Especialistas ouvidos pela apuração destacam que o acúmulo de ações públicas e negócios privados em terrenos próximos ao Hyperion eleva preocupações de conflito de interesse. Apoiadores do senador defendem que as leis aprovadas pela própria legislatura tinham alcance amplo e não visavam exclusivamente o projeto da Meta. O histórico de financiamento e as relações com a família Franklin foram citados como fatores relevantes para o contexto.

Morris afirmou que não houve irregularidades, que os imóveis são de domínio público e que os benefícios fiscais valeriam para datacenters em geral, não apenas para a Meta. A defesa também sustenta que não houve recusa de participação em votações sempre que o interesse pessoal não era específico ao empreendimento.

A apuração ressalta ainda que o quadro ético estadual tem passado por mudanças nos últimos anos, com críticas à flexibilização de normas. Especialistas afirmam que a transparência é crucial para manter a confiança pública diante de investimentos de grande porte como o Hyperion.

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