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Traficante condenado a 126 anos rompe tornozeleira e desaparece

Liberação domiciliar em quarenta minutos permitiu fuga de traficante condenado a 126 anos; desembargador Divoncir Maran é afastado pelo CNJ

Traficante condenado a 126 anos ganhou prisão domiciliar, rompeu tornozeleira e nunca mais foi encontrado
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  • O traficante Gerson Palermo, condenado a cento e vinte e seis anos, ganhou prisão domiciliar no plantão de 20 de abril de 2020 e, pouco depois, rompeu a tornozeleira, tornando-se foragido.
  • A liberação ocorreu em cerca de quarenta minutos, e mensagens indicam pressa no protocolo, com avaliação irregular dos documentos.
  • O desembargador Divoncir Maran assinou a ordem; o Conselho Nacional de Justiça o aposentou compulsoriamente por atuar sem análise adequada.
  • Interceptações mostram mensagens de assessores sugerindo rapidez no atendimento ao pedido de liberdade.
  • Palermo ficou conhecido por sequestro de avião em 2000 e, segundo a Polícia Federal, liderava atuação de tráfico internacional; o caso envolve investigações sobre o magistrado Divoncir Maran.

Uma investigação recente revela detalhes sobre a fuga de um traficante condenado a 126 anos de prisão. O benefício de prisão domiciliar foi concedido em abril de 2020, durante plantão judiciário, e o homem rompeu a tornozeleira pouco depois, tornando-se foragido. O caso envolve irregularidades no procedimento e uma rede de responsáveis pelo processo.

Gerson Palermo, traficante ligado a ações de alto grau de periculosidade, recebeu a liberação para cumprir pena em regime domiciliar. A decisão ocorreu no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, com base em um requerimento que, segundo apurações, foi providenciado em cerca de 40 minutos.

A investigação aponta que o desembargador Divoncir Maran assinou a ordem de liberdade, e o CNJ afastou o magistrado, aplicando aposentadoria compulsória após concluir que houve falha na análise dos documentos. A rapidez do procedimento motivou suspeitas de irregularidades.

Mensagens interceptadas entre funcionários do gabinete do desembargador indicam pressa na liberação. Em uma conversa, um assessor disse: vai entrar esse HC, chefe pediu para prover, sugerindo atuação prévia no sistema. A defesa citou problemas de saúde no início da pandemia, mas não houve laudos que comprovassem gravidade.

Fernando Carlana, funcionário responsável pela validação eletrônica, disse que uso de senhas e assinaturas digitais era comum no gabinete. A defesa de Palermo sustenta que o contexto da Covid-19 influenciou decisões, mas a apuração continua para confirmar responsabilidades.

Histórico criminal de Palermo inclui participação no sequestro de um avião de passageiros em 2000, com envolvimento na tentativa de desviar malotes do Banco do Brasil. Investigação da Polícia Federal aponta liderança no tráfico internacional, articulando redes entre o Brasil e grandes cartéis na Bolívia e na Colômbia.

Além do processo no judiciário, Divoncir Maran enfrenta inquéritos por corrupção passiva, ocultação de bens, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A defesa do magistrado nega irregularidades e sustenta que não houve ilegalidade no caso.

O caso reacende o debate sobre a eficácia da aposentadoria compulsória como sanção a magistrados. Ministros do STF e membros do Congresso discutem mudanças nas regras disciplinares para crimes éticos no exercício da função pública.

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