- Eduardo Ignácio Murias, 63 anos, argentino, segue preso após prisão em flagrante por injúria racial contra um menino de 7 anos durante passeio de Maria Fumaça em Tiradentes (MG; Região Central). A prisão foi convertida em preventiva após audiência de custódia em São João del Rei.
- O crime ocorreu quando o turista fotografou a criança negra no trem e compartilhou as imagens com comentários injuriosos; uma das mensagens continha a expressão em espanhol “De lo puedo llevar de esclavo” (posso levá-lo como escravo).
- Outros turistas perceberam o conteúdo das mensagens e alertaram a mãe da criança, de 32 anos; o celular dele foi apreendido pela polícia.
- A defesa, inicialmente representada pelo advogado Lincoln Barros Júnior, pediu cautela e devido processo, mas o próprio advogado informou ter se desligado do caso; um novo defensor foi contratado.
- Sobre o enquadramento, injúria racial passou a ser equiparada ao racismo desde janeiro de 2023; o caso envolve possível prática discriminatória conforme a Lei de Crimes Raciais.
O argentino Eduardo Ignácio Murias, de 63 anos, continuará preso após ser detido pela Polícia Militar no domingo (24/5) na cidade de Tiradentes (MG). A prisão ocorreu em flagrante durante passeio de Maria Fumaça, quando foram identificadas mensagens injuriosas envolvendo uma criança de 7 anos.
A criança, que é negra, teve as imagens do passeio fotografadas pelo turista e compartilhadas com comentários ofensivos por meio de um aplicativo de mensagem. Em uma das mensagens, Murias escreveu em espanhol que poderia levar a criança como escravo. Outros turistas perceberam o conteúdo e alertaram a mãe, de 32 anos, que acompanhava o filho.
Conduzido à delegacia, o argentino teve o celular apreendido e foi encaminhado à Polícia Civil. Na audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (25), na 1ª Vara Criminal da comarca de São João del-Rei, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva.
Situação processual e defesa
A defesa de Murias, representada inicialmente pelo advogado Lincoln Barros Júnior, pediu cautela e direito à ampla defesa, destacando a necessidade de apuração completa dos fatos. O advogado informou que não atuará mais no caso e que Murias contratou novo defensor.
Contexto legal
O crime de injúria racial passou a ser equiparado ao racismo desde janeiro de 2023, com alterações na Lei de Crimes Raciais. A nova redação inclui ataques baseados em raça, cor ou procedência nacional, com tipificação mais ampla e aplicação de penas previstas na legislação. A apuração segue sob responsabilidade das autoridades competentes, com base nas provas apresentadas e no contraditório.
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