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Decreto sobre big techs pode abrir brecha para censura nas redes

Especialistas afirmam que decreto sobre big techs abre brecha para censura nas redes durante as eleições, com remoção rápida de conteúdos e responsabilização

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  • Decreto editado sem passar pelo Congresso altera a responsabilização de plataformas digitais e fica em vigor durante as eleições.
  • Passa a prever dever de cuidado, com mecanismos mais rígidos de moderação, remoção rápida de conteúdos (em até duas horas) e possibilidade de responsabilização das big techs.
  • Críticos veem risco de brechas para censura e de autocensura das plataformas, além de questionar a legitimidade do processo por ter ficou apenas no Executivo.
  • Governo afirma que não há censura: Agência Nacional de Proteção de Dados não pode ordenar remoção de conteúdos específicos e atuará apenas na fiscalização do comportamento geral.
  • Oposição já apresentou mais de vinte projetos para derrubar o decreto; entidades do setor defendem legislação com participação do Congresso e temem falhas na moderação.

O governo publicou um decreto que altera as regras de responsabilização das plataformas digitais, sem passar pelo Congresso, e isso gerou alertas sobre censura, especialmente com as eleições a menos de oito meses. A medida busca combater crimes digitais, segundo o Planalto, que alega necessidade de registrar atos ilícitos online.

Especialistas apontam que o texto traz conceitos vagos e pode abrir brechas para interpretações ampliadas de moderação de conteúdo. O decreto estabelece o mecanismo de um dever de cuidado e prevê remoção rápida de conteúdos, com prazos que chegam a duas horas em alguns casos, sob risco de responsabilização das plataformas.

O que muda de fato

Entre os pontos centrais está o dever de cuidado, que exige das plataformas mecanismos mais rígidos para inibir conteúdos ligados a crimes graves, como terrorismo e exploração de crianças. A normativa também prevê ação preventiva e a possibilidade de sanções administrativas.

Há ainda a previsão de falha sistêmica, com punições caso haja omissão na moderação ou atraso na retirada de conteúdos irregulares. Multas e outras sanções administrativas são citadas como possíveis consequências.

Riscos e leituras críticas

Críticos destacam a amplidão das regras e a interpretação regulatória como principais entraves. A preocupação é que, para evitar punições, as plataformas adotem remoção de conteúdos de forma excessiva, configurando autocensura.

O jurista Luiz Fernando Prado afirma que a defesa da liberdade de expressão precisa balizar normas sobre conteúdo hospedado por serviços digitais. Ele questiona a legalidade processual de um decreto assinado pelo Executivo sem aprovação parlamentar.

Posição do governo e do Congresso

O governo sustenta que o decreto não cria novas sanções e que a ANPD não poderá ordenar a retirada de conteúdos específicos, apenas fiscalizar o comportamento geral das plataformas. A agência é vinculada ao Ministério da Justiça.

Ainda assim, a oposição avançou com mais de 20 projetos para derrubar o decreto no Congresso. Entidades do setor digital também demonstraram preocupação com o processo de edição sem trâmite parlamentar.

Reações e próximos passos

A associação de entidades ligadas à internet critica a ausência de participação legislativa no documento. Parlamentares defendem a necessidade de legislação com participação democrática para evitar distorções.

Especialistas ressaltam que a fiscalização das novas regras ficará a cargo da ANPD, o que aumenta a percepção de risco político durante as eleições. Advogados destacam que decisões relacionadas ao tema podem ser encaminhadas à Justiça Eleitoral ou ao Ministério Público.

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