- O senador Flávio Bolsonaro viajou para Washington, buscando possível encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, em meio a repercussões da revelação de ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro.
- A viagem ocorreu em meio a uma fase negativa da pré-campanha, com quedas em pesquisas após a divulgação do pedido de dinheiro para financiar um filme sobre o pai dele.
- Na viagem, Flávio viajou em classe executiva, acompanhado de segurança; houve assédio de alguns passageiros e ele chegou a posar para fotos. O retorno da passagem não foi divulgado.
- A agenda prevista inclui encontro com Trump na terça-feira, 26 de maio, e possível reunião com o second-level do Departamento de Estado; Marco Rubio não estaria em Washington.
- Um tema que pode entrar na pauta é a tentativa de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, assunto que o governo Lula contesta para evitar ações militares no Brasil.
A viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, nos Estados Unidos, envolve a possibilidade de um encontro com o presidente Donald Trump. O senador e pré-candidato à Presidência está no atual momento sob o impacto de revelações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, que afetaram sua pré-campanha.
A ida ocorre em meio a críticas sobre a linha de ataque da campanha e a queda de apoiadores após as informações sobre suposto pedido de dinheiro para financiar um filme sobre o pai de Flávio, Jair Bolsonaro. O objetivo declarado é obter apoio estratégico junto a lideranças norte‑americanas.
A BBC News Brasil acompanhou a viagem e esteve a bordo do mesmo voo do senador. Flávio saiu de Guarulhos na noite de domingo e chegou a Washington na manhã de segunda-feira. A reportagem acompanhou a chegada e conversou com ele durante a viagem.
Na chegada ao aeroporto, Flávio foi recebido pela comitiva de assessores. O senador viajou com um segurança. A passagem pelo portão de embarque ocorreu de forma rápida, com o uso de passaporte diplomático.
A bordo, Flávio ficou em uma cabine de classe executiva e recebeu atenção de passageiros. O serviço de bordo incluiu opções de vinho e champanhe, típicas da categoria. Questionado sobre a viagem, ele não detalhou planos para a reunião.
Sobre o voo de aproximadamente nove horas, não há confirmação pública de se a viagem foi financiada pela cota parlamentar, pelo Partido Liberal ou por recursos próprios. A depender do formato, o custo da passagem em classe executiva pode ultrapassar as dezenas de milhares de reais.
A expectativa é de que o encontro com Trump aconteça na terça-feira, com retorno ao Brasil programado para o dia seguinte. Além da reunião com o ex-presidente, há expectativa de encontros com integrantes do segundo escalão do Departamento de Estado.
No desembarque, Flávio manteve o protocolo de autoridades com passaporte diplomático. Não confirmou onde pretende se hospedar nem se encontrará com o irmão Eduardo Bolsonaro. A agenda de temas para a reunião ainda não foi anunciada pelo senador.
Segundo apuração, um dos temas que Flávio gostaria de abordar é a possível designação por parte dos EUA de organizações criminosas brasileiras como terroristas, como PCC e Comando Vermelho. A pauta divide posições entre o governo brasileiro e a bancada.
O governo Lula avalia a visita de Flávio com cautela. Oficiais indicam que a ida pode servir para tentar desviar o foco de investigações sobre Vorcaro, mas acompanha o encontro à distância. Ainda não há posição oficial definida sobre o tema.
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