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Governo Lula já vê ganho político mesmo sem fim da 6×1 aprovado pelo Congresso

Governo aposta em vitória política com fim da escala 6x1, mesmo sem aprovação no Congresso, após acordo entre Lula e Hugo Motta e amplo apoio público

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante solenidade no Palácio do Planalto
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  • Governo avalia que Lula já obtém vitória política com a discussão sobre o fim da escala 6×1, mesmo sem aprovação no Congresso.
  • Lula fechou acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para avançar a proposta na Casa, aumentando o desgaste para quem se opor.
  • Câmara deve votar o texto nesta quinta-feira; Senado é incerto, com debate de oposição e empresários sobre alterações.
  • Pesquisa Datafolha aponta 71% do eleitorado favorável à redução da jornada de trabalho, fortalecendo o discurso de Lula.
  • A proposta prevê fim da jornada de seis dias por dois dias de folga em 60 dias após promulgação, com redução da carga semanal de 44 para 42 horas; em 12 meses, volta a reduzir para 40 horas.

O governo Lula avalia que manter o tema da redução da jornada de trabalho de 6×1 como pauta central gera ganho político mesmo se o Congresso não aprovar a proposta. A avaliação interna é de que haveria vitória simbólica ao associar o tema a uma bandeira de esquerda com amplo apoio popular.

Nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, Lula reuniu-se com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e fechou um acordo para que o projeto avance na Câmara, ainda que haja incerteza sobre o desenrolar no Senado. A intenção é que, caso haja qualquer resistência, o governo tenha uma vitrine pública da defesa de trabalhadores.

A proposta, apresentada como PEC, prevê substituir a escala 6×1 por dois dias de folga por semana e reduzir a jornada semanal de 44 para 42 horas em 60 dias após a promulgação. Em seguida, a jornada deveria cair para 40 horas semanais 12 meses depois, com entrada em vigor gradual para facilitar a tramitação.

Aliados destacam que a popularidade da ideia explica parte do apoio ao tema. Pesquisa Datafolha divulgada em março mostrou que 71% dos brasileiros são favoráveis à redução da jornada. Mesmo em caso de derrota no plenário, o governo pode usar o debate como base para campanha eleitoral.

Quanto ao Senado, o caminho é incerto. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, tem mantido silêncio sobre a posição a respeito da PEC, e a relação com o Planalto permanece tensa desde a rejeição de um ponto-chave do governo ao STF. A expectativa é de que o tema chegue ao Senado com mudanças propostas pela oposição e por empresários.

Segundo articuladores do governo, há disposição para enfrentar desgaste político entre senadores que dependem de votos amplos em seus estados, especialmente em outubro, quando dois terços das vagas do Senado estarão em disputa. A Câmara deve votar o texto ainda nesta semana, de acordo com a Folha de S.Paulo. Empresas defendem alterações, principalmente sobre o período de transição.

O governo sustenta que a pauta não se restringe a benefícios sociais, mas representa uma agenda de mudança estrutural que complementa programas como o Bolsa Família. A intenção é fortalecer a imagem de um governo capaz de propor medidas de impacto, mesmo diante de dificuldades político-partidárias.

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