- Consulta pública no Reino Unido avalia se o governo deve proibir o acesso a redes sociais para menores de 16 anos, seguindo modelo australiano.
- A Academia das Ordens Médicas Britânicas recomenda que médicos perguntem sobre tempo de tela e uso de redes sociais em consultas com jovens.
- A ministra de Tecnologia, Liz Kendall, disse que novas medidas devem ser anunciadas até o fim do ano; a consulta segue aberta e recebe contribuições.
- Até agora foram recebidas cerca de 70 mil contribuições de instituições, grupos e pessoas sobre proibição ou outras intervenções, como limites de horário e verificação de idade.
- Há apoio de alguns grupos, incluindo associações de policiais, para banir plataformas que não removerem determinados recursos; ativistas divergem sobre uma proibição total.
O governo do Reino Unido abriu uma consulta pública para decidir se deve adotar, ou não, medidas para restringir redes sociais a menores de 16 anos, seguindo o modelo aplicado na Austrália. Analisa-se também proibição total de acesso a plataformas para essa faixa etária.
A Academy of Medical Royal Colleges aponta que médicos devem perguntar aos pacientes jovens sobre tempo de tela e uso de redes sociais durante consultas. A entidade ressalta a necessidade de orientar profissionais de saúde e registrar danos potenciais.
A ministra de Tecnologia, Liz Kendall, disse à BBC que novas medidas serão anunciadas até o fim do ano. O governo avalia várias opções, incluindo restrições de horário, verificações de idade mais rigorosas e mudanças no design das plataformas.
Medidas em consulta
A consulta recebeu cerca de 70 mil contribuições de organizações, entidades beneficentes e cidadãos. Entre propostas, estão limites de uso noturno e desativação de recursos como rolagem contínua e reprodução automática.
Psiquiatras infantis destacam que o uso excessivo pode trazer riscos maiores do que o tabagismo, afirmando que crianças são expostas a conteúdos nocivos cada vez mais cedo. Profissionais enfatizam a importância de perguntas sem julgamento.
O debate também abrange o acesso de crianças a chatbots de IA e a necessidade de reforçar a fiscalização das verificações de idade. A ideia é mapear impactos e orientar políticas públicas.
Reações e cenários internacionais
Grupos de policiais apoiam a proibição de plataformas que não removerem determinados recursos para menores. Familiares de vítimas de redes sociais pressionam o governo a elevar a idade de acesso para 16 anos.
Casos nos Estados Unidos mostram decisões judiciais contra grandes plataformas pelos efeitos do uso infantil. Advogados argumentam que ferramentas de engajamento aceleram dependência entre jovens.
Guia de atuação de especialistas sugere que o governo mantenha o alinhamento com padrões de classificação de conteúdo, como o BBFC, para proteger adolescentes de acordo com critérios aplicados a filmes.
A Meta, proprietária do Facebook, Instagram e YouTube, indicou preferência por verificação de idade no nível do dispositivo. Kendall afirmou que o governo pode agir mesmo diante de resistência das big techs.
O processo de consulta, aberto desde março, encerra ainda nesta semana. O governo pretende consolidar as recomendações e, segundo a ministra, agir de forma responsável e duradoura.
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