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Mistura de pessoas, mas houve bondade: Sikh cockney no leste de Londres

Trilha em Spitalfields registra convivência entre imigrantes e ataques de extremistas, destacando a resiliência da família frente à violência

Suresh Singh outside Christ Church primary school, a Spitalfields landmark.
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  • Suresh Singh, conhecido como “the Cockney Sikh”, organizou uma caminhada histórica por Spitalfields, em leste de Londres, mostrando a memória da área e sua diversidade.
  • A rota revisita imigrantes ao longo do tempo — irlandeses, maltenses e judeus hassídicos — destacando que “há bondade entre as pessoas”.
  • Singh nasceu em Princelet Street, em 1962, e viveu em Brick Lane durante década de sessenta e setenta, quando ataques de grupos de direita eram comuns na região.
  • O pai, Jaginder Singh, chegou de Punjab em 1949 e criou um arquivo fotográfico da vida em Spitalfields, hoje no Bishopsgate Institute.
  • Suresh foi a primeira pessoa a tocar Punjabi punk em Londres, atuando como baterista da Spizzenergi e, posteriormente, em bandas como Siouxsie and the Banshees e The Cure, antes de dedicar-se a documentar Brick Lane com a câmera.

Suresh Singh, conhecido como o “Cockney Sikh”, transformou memórias da infância em Spitalfields, no leste de Londres, em um passeio a pé. O objetivo é revelar a história de um bairro diverso, marcado por imigrações e por episódios de violência de ultranacionalistas.

Durante seis décadas, Singh percorreu as ruas como educador, arquiteto, músico e escritor. Nesta semana organizou uma caminhada nostálgica pelo ambiente, mostrando aos visitantes a origem do local e as mudanças ao longo do tempo.

Nascido na Princelet Street, em 1962, Singh passou a adolescência na Brick Lane, sob a sombra de ataques racistas de grupos de extrema direita. O território abrigava a sede do National Front na época.

O que aconteceu e quem está envolvido

O passeio destacou a convivência entre imigrantes ao longo dos anos, como irlandeses, malteses e judeus Hassídicos, ressaltando que houve, mesmo diante de tensões, momentos de cordialidade entre comunidades.

Singh lembrou episódios de perseguição e violência racial vividos pela família, tanto em Punjab quanto em Londres, incluindo ataques na Brick Lane e confrontos com membros do National Front. O relato compõe parte da memória local.

O pai de Suresh, Jaginder Singh, chegou a Londres em 1949, após a II Guerra Mundial, para trabalhar na região de Liverpool Street. Ele apoiou a família com a remessa de fotos da vida em Spitalfields, ajudando a criar um arquivo histórico disponível no Bishopsgate Institute.

Influência familiar e legado cultural

O pai incentivou ações para enfrentar o racismo, vestindo-se bem para provocar admiração e desafiar estereótipos. Essa estratégia de resistência ficou marcada como uma forma de combate às discriminações.

Jaginder registrou a vida familiar em fotografias, que revelam não apenas a vida cotidiana, mas também aspectos que muitos evitavam lembrar, como moradias simples e falta de água quente. Essas imagens preservam a memória da comunidade.

Nos anos 1970, impulsionado pela família, Jaginder inspirou Suresh a seguir a música. Singh tornou-se o primeiro Punjabi punk de Londres, atuando como baterista da banda Spizzenergi e, posteriormente, acompanhando Siouxsie and the Banshees e The Cure.

Suresh também passou a fotografar a vida na Brick Lane. Em suas palavras, o objetivo era ampliar a visão da área, evitando que agentes externos explorassem as comunidades sem reconhecer sua complexidade e autonomia.

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