- Deputados de oposição se reuniram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para tentar incluir na PEC do fim da escala 6×1 o regime de remuneração baseado em horas trabalhadas.
- A expectativa é que a Câmara aprove a PEC sem essa mudança, com um período de transição de dois a quatorze meses para a redução da jornada.
- Há temor entre governistas de que Alcolumbre atrapalhe a tramitação no Senado, mesmo com apoio popular ao fim da 6×1.
- Alcolumbre sinalizou abertura ao diálogo, mas não se manifestou publicamente até a publicação da reportagem.
- Empresários e setores oposicionistas também discutem alterações com o Senado, buscando um prazo de transição mais longo para o fim da 6×1.
Oposição vai a Alcolumbre para frear a aprovação da 6×1 no Senado. Parlamentares de oposição procuraram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na semana passada, para tentar inserir o regime de remuneração por horas trabalhadas na PEC do fim da escala 6×1. A ideia seria atrasar a tramitação na Casa.
Na prática, os bolsonaristas buscam apoio do presidente para atrasar a votação no Senado, que pode ocorrer antes das eleições. A Câmara planeja aprovar a PEC com um período de transição de 2 a 14 meses, o que é visto como insuficiente por setores da direita e empresários.
Segundo interlocutores, Alcolumbre sinalizou abertura ao diálogo e defendeu debate amplo na Casa. Não houve manifestação pública do presidente até a publicação desta nota. O governo acompanha o desenrolar com cautela, diante de uma relação tensa com o Palácio do Planalto.
O governo avalia cenários distintos. A expectativa é que a Câmara vote a PEC na próxima semana, sem acolher emendas da oposição. Em termos políticos, se o Senado frear a tramitação, o governo pode enfrentar maior campo para reajuste de narrativa entre eleitores.
Entre apoiadores da atual proposta, há quem veja benefícios eleitorais em manter o cronograma de votação, caso haja aprovação do texto com a transição prevista. Já a oposição trabalha pela suspensão ou adiamento para after outubro, para reduzir o impacto político de Lula.
Com o texto da Câmara estabelecendo duas etapas de transição, a jornada de 44 horas semanais cairia para 42; depois, 40 horas, em 12 meses. Governistas avaliam que, mesmo com entraves, uma conclusão facilita narrativa de ganhos trabalhistas.
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