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PF: Castro troca cúpula do Rioprevidência antes de investimento de R$ 3,7 bi no Master

PF aponta que mudanças na direção do Rioprevidência precederam aportes de 3,7 bilhões no Banco Master, com indícios de irregularidades e alinhamento político

Cláudio Castro e Daniel Vorcaro — Foto: Reprodução
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  • PF encaminha ao STF relatório que aponta troca de cúpula do Rioprevidência por Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro antes de aportes de R$ 3,7 bilhões no Banco Master.
  • Investimentos entre outubro de 2023 e julho de 2024 totalizaram R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master, segundo a PF.
  • Entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, outros R$ 2,01 bilhões foram direcionados a fundos estruturados ligados ao mesmo grupo econômico.
  • A investigação afirma que houve “alteração estratégica” na direção do Rioprevidência e nomeações em cargos-chave que teriam facilitado o credenciamento do Banco Master, com suposto descumprimento de regras.
  • A PF aponta mensagens no celular de Vorcaro sobre alinhamento político com Castro; defesa do ex-governador diz ter acompanhado buscas com serenidade e sinaliza motivação política na operação.

A Polícia Federal abriu novo capítulo da Operação Compliance Zero ao apontar que mudanças na cúpula do Rioprevidência, promovidas pelo então governador Cláudio Castro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, antecederam aportes bilionários no Banco Master. A PF apresentou a conclusão ao STF nesta terça-feira (26), na 8ª fase da operação.

Segundo o relatório, houve uma alteração estratégica na direção do Rioprevidência, fundo gestor de aposentadorias de servidores fluminenses, antes do início dos investimentos no banco de Vorcaro. A PF sustenta que essa mudança facilitou a nomeação de dirigentes de atuação-chave e o credenciamento rápido de produtos do Master.

A investigação aponta que, entre outubro de 2023 e julho de 2024, o Rioprevidência aplicou 970 milhões de reais em Letras Financeiras do Master. Entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, outros 2,01 bilhões de reais foram destinados a fundos estruturados ligados ao mesmo grupo econômico.

A PF sustenta que esses investimentos podem ter contornado restrições regulatórias surgidas após os aportes iniciais. Além disso, aponta que as nomeações estratégicas teriam alinhado dirigentes internos à liberação dos recursos. O relatório cita uma relação de proximidade entre Castro e Vorcaro.

Nominalmente, a decisão cita quatro pessoas ligadas ao Rioprevidência: Deivis Marcon Antunes, diretor-presidente; Eucherio Lerner Rodrigues, diretor de Investimentos; Pedro Pinheiro Guerra Leal, gerente de Investimentos e Operações; e Fernanda Pereira da Silva Machado, responsável pelo Controle Interno e Auditoria. Eles teriam atuado em desconformidade com a política de investimentos e com a legislação aplicável.

A PF também aponta mensagens encontradas no celular de Vorcaro que sugerem que alguns investimentos dependiam de alinhamento político com Castro. A decisão descreve esse suposto sincronismo entre encontros entre Castro, Vorcaro e os aportes subsequentes.

Conforme o documento, ocorreram encontros frequentes, reuniões em locais privados, viagens ao exterior e despesas custeadas por Vorcaro, o que, para os investigadores, evidencia relação não apenas institucional. Os aportes teriam continuado mesmo diante de alertas do TCE-RJ e de pareceres técnicos contrários.

O ministro André Mendonça, do STF, afirmou haver um robusto conjunto de elementos que indicam irregularidades na condução dos investimentos. A defesa de Castro, por meio do advogado Carlo Luchione, afirmou que o ex-governador acompanhou as buscas com serenidade e citou a possibilidade de motivação política na operação.

A investigação investiga ainda possíveis fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça associadas ao Banco Master, que foi liquidado. Vorcaro está detido em Brasília. A PF continua coletando evidências e ouvindo operadores envolvidos.

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