- A Polícia Civil de São Paulo aponta que mensagens e comprovantes indicam pagamentos feitos por uma transportadora ligada ao PCC para a influenciadora e advogada Deolane Bezerra, no esquema de lavagem de dinheiro da facção.
- A investigação, chamada Operação Vernix, resultou na prisão de Deolane na quinta-feira anterior, sob suspeita de lavagem de dinheiro, associação ao tráfico e participação em organização criminosa.
- Trechos apreendidos citam uma abreviação interpretada como referência a Deolane e transferências bancárias associadas ao esquema criminoso.
- Relatórios da polícia indicam que mais de R$ 13 milhões passaram pelas contas pessoais de Deolane entre 2018 e 2022, além de outros R$ 14 milhões movimentados por empresas em seu nome.
- A defesa afirma que os valores são remuneração por serviços advocatícios, que não há relação com crime organizado e que os rendimentos são declarados; a polícia também monitora a influenciadora com apoio da Interpol durante estadia na Itália.
A Polícia Civil de São Paulo, em parceria com o Ministério Público, informou que a Operação Vernix identificou mensagens e comprovantes de pagamentos supostamente ligados a uma transportadora associada ao PCC, com destino à influenciadora e advogada Deolane Bezerra. Segundo a investigação, comunicações apreendidas mencionam uma abreviação que as autoridades teriam interpretado como referência a Deolane e indicam transferências ligadas a um esquema de lavagem de dinheiro da facção.
A apuração aponta que recursos originários de uma transportadora ligada aos irmãos do PCC seriam transferidos para empresas e contas ligadas a Deolane. A investigação envolve mensagens que citariam repasses financeiros associados ao esquema e depósitos identificados em nomes ligados à influenciadora. A polícia afirma que parte do dinheiro teria sido pulverizada entre diversas contas e empresas.
Deolane Bezerra foi presa na última quinta-feira, 22 de maio, em cumprimento a mandado expedido no âmbito da operação. A defesa da influenciadora sustenta que não há relação com o PCC e que os rendimentos são declarados, compatíveis com atividades empresariais e, segundo registro, não haveria envolvimento com o esquema de lavagem. A prisão ocorreu em meio à investigação que já durava desde 2019.
Detalhes da investigação
O inquérito começou após agentes penitenciários encontrarem bilhetes na cela de Presidente Venceslau, no interior paulista, com ordens supostamente atribuídas aos irmãos Marcola e Alejandro Camacho Júnior. Conforme o Ministério Público, um casal de laranjas manteria uma transportadora para facilitar a lavagem de dinheiro e o movimento de recursos vinculados ao tráfico internacional de cocaína.
Relatórios internos apontam que depósitos identificados em contas ligadas à influenciadora teriam sido realizados por Ciro César Lemos, apontado como operador da transportadora. A polícia também apura a existência de empresas em cidades próximas a Presidente Venceslau que poderiam funcionar como fachada.
Durante depoimento na audiência de custódia, Deolane afirmou que os valores recebidos diziam respeito a serviços advocatícios. A defesa reiterou que não há relação com crime organizado e que os rendimentos são declarados e compatíveis com as atividades da influenciadora. A polícia afirma ter monitorado a rotina de Deolane em Roma com apoio da Interpol antes da prisão.
Contexto financeiro e desdobramentos
Relatórios indicam que, entre 2018 e 2022, mais de 13 milhões de reais circularam nas contas pessoais de Deolane, com outros 14 milhões movimentados por empresas em seu nome. As autoridades destacam a possibilidade de parte do dinheiro ter sido distribuída entre contas e empresas associadas. Há indícios de que algumas estruturas possam representar empresas de fachada, segundo a investigação.
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