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Procuradora diz que fim da 6×1 é oportunidade histórica

Procuradora afirma que fim da escala 6x1 pode melhorar a saúde, reduzir afastamentos e ampliar direitos de crianças e mulheres no ambiente de trabalho

A procuradora reforçou a importância do equilíbrio da jornada de trabalho. Para ela as relações atuais entre empresários, trabalhadores e o movimento sindical ainda são muito assimétricas - (crédito: (crédito: Ed Alves/CB/DA.Press) )
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  • A procuradora do Trabalho Carolina Mercante, do Ministério Público do Trabalho, afirmou que o fim da escala 6×1 é uma oportunidade histórica de tornar o capitalismo mais humanizado.
  • Ela disse que a redução da jornada melhora o meio ambiente e as condições de trabalho, e que a 6×1 está ligada a maior risco de acidentes e à saúde dos trabalhadores.
  • Estudos citados apontam que 30% dos adoecimentos são causados por jornadas acima de quarenta horas, com impactos como fadiga, estresse, doenças cardíacas e depressão.
  • A proibição da jornada excessiva também pode reduzir afastamentos, que variam entre 10 e 12 dias, impactando financeiramente empresas e o orçamento público.
  • Além disso, a redução da jornada pode fortalecer direitos da criança e do adolescente, favorecer a equidade no trabalho (especialmente para mulheres negras) e exigir regras de transição para terceirizados.

O Ministério Público do Trabalho (MPT), por meio da procuradora Carolina Mercante, afirmou que o fim da escala 6×1 é uma oportunidade histórica para tornar o capitalismo mais humanizado. Ela participou do painel CB Debate Escala 6×1: Em Busca do Equilíbrio na Jornada de Trabalho, nesta terça-feira (26/5), em Brasília, durante evento promovido pelo Correio. Mercante ressalta que a mudança pode melhorar a saúde e o meio ambiente de trabalho.

Ela aponta que a redução da jornada de 6×1 está associada à diminuição de acidentes e de danos à saúde integral dos trabalhadores. Estudos citados por Mercante indicam que jornadas acima de 40 horas costumam contribuir para 30% dos adoecimentos, elevando riscos de fadiga, estresse e doenças como cardiovasculares.

A procuradora detalha impactos financeiros e previdenciários. Afastamentos por doenças laborais elevam custos para o setor público e para as empresas privadas, segundo a análise apresentada. Em alguns casos, os afastamentos variam entre 10 e 12 dias, com efeitos diretos no desempenho produtivo.

Repercussões para a família e para a igualdade no trabalho

Mercante destaca efeitos positivos na vida familiar, com mais tempo para cuidado de filhos e redução do trabalho infantil. Ela aponta que mulheres são as mais impactadas pela cultura patriarcal, defendendo que a redução da jornada facilita investimento em educação e qualificação profissional.

A ausência de tempo suficiente para participação em assembleias e debates da categoria também é citada pela procuradora como uma assimetria existente hoje. Dados do Ipea e da Fundacentro indicam que a parcela de trabalhadores atingidos pela 6×1, recebendo até dois salários mínimos, inclui maior participação de mulheres negras.

Efeitos no setor público e no emprego de terceirizados

Mercante afirma que a jornada reduzida pode tornar o ambiente administrativo mais igualitário, já que há servidores e trabalhadores terceirizados convivendo nos mesmos espaços. A proposta aponta para regras de transição, com cláusulas para a adaptação de contratos de terceirizados por meio de aditivos.

A procuradora encerra reforçando a necessidade de equilíbrio na relação entre empresários, trabalhadores e sindicatos. Ela sustenta que a 6×1 impede participação efetiva dos trabalhadores em debates da categoria, e que a redução da jornada favorece o desenvolvimento socioeconômico do país.

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