- A Polícia Federal apreendeu diálogos entre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo agradecimentos após ele ter bancado um jantar de R$ 66 mil em Nova York em maio de 2023.
- A investigação envolve aportes de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Banco Master e em fundos ligados ao banco, com buscas e apreensões concluídas na operação deflagrada na terça-feira, 26.
- Trechos mostram que Vorcaro pagou o jantar; em 12 de maio de 2024 houve nova reserva no mesmo restaurante, e Castro reagiu com “Você não existe”.
- A PF localizou encontros entre Vorcaro e Castro no Brasil, inclusive na residência oficial, e a investigação aponta que a relação pode ter influenciado a liberação de recursos, embora a defesa negue interferência.
- Segundo a defesa, os recursos investidos pelo Rioprevidência seguiram fluxos técnicos e legais; há menção de resgates e devoluções de recursos a partir de 2024 a 2026, com valores já ressarcidos ao caixa do estado.
Em nota à imprensa, a Polícia Federal revelou mensagens entre Cláudio Castro, então governador do Rio de Janeiro, e o banqueiro Daniel Vorcaro. Os diálogos indicam agradecimentos de Castro após Vorcaro pagar um jantar de R$ 66 mil em Nova York. A PF utiliza esses diálogos para fundamentar investigações sobre aportes de R$ 3 bilhões do Rioprevidência ao Banco Master e a fundos vinculados ao grupo.
Os diálogos, recuperados no celular de Vorcaro, foram divulgados pela GloboNews e constam de registros enviados pela PF ao longo da operação deflagrada na terça-feira, 26. A ação cumpriu buscas e apreensões contra Castro e outros alvos sob suspeita de favorecimento em investimentos do Rioprevidência.
Segundo a PF, em maio de 2023 Vorcaro enviou o endereço do restaurante Nusr-Et Steakhouse em Nova York. Castro confirmou um retorno positivo, agradecendo pela experiência. O banco foi apontado pela investigação como parte de operações envolvendo o Rioprevidência.
Em relatório policial, um fornecedor de serviços confirmou que Vorcaro recebeu cobrança de US$ 13 mil pelo jantar, indicando o pagamento do mesmo pela liderança estadual. Um ano depois, o banqueiro teria marcado novo encontro com o governador no mesmo local.
Em 12 de maio de 2024, Vorcaro avisou sobre reserva, e Castro respondeu com um agradecimento enfático. Em mensagens a outro interlocutor, o empresário orientou pedidos de vinhos e de cortes de carne especiais para o convidado.
Registros da PF apontam encontros entre Vorcaro e Castro também na residência oficial do governador, no Rio de Janeiro. A investigação sustenta que a relação entre as partes facilitou a liberação de recursos do Rioprevidência ao Master e a pagamentos próximos aos encontros.
A defesa de Cláudio Castro negou interferência na liberação de recursos do Rioprevidência. Em nota, os advogados afirmaram que os contatos ocorreram em agendas institucionais e de networking, sem qualquer favorecimento ou benefício pessoal.
Segundo a defesa, Castro não conhece o intermediário citado e não houve custeio de viagens ou despesas pessoais por Vorcaro. A versão sustenta que todos os investimentos do Rioprevidência obedeceram a normativas técnicas, jurídicas e administrativas.
A defesa também ressaltou que Castro jamais integrou o comitê de investimentos do Rioprevidência e não participava das decisões técnicas da autarquia. Afirmam que houve medidas de apuração e controle após surgirem questionamentos sobre as operações com o Banco Master.
Entre os desdobramentos, a defesa apontou o resgate de aproximadamente R$ 1,4 bilhão de fundos ligados ao Banco Master em dezembro de 2025, com o objetivo de proteger o patrimônio dos servidores do estado. O Fundo Arena foi integralmente resgatado em 2025, sem prejuízo ao Rioprevidência, e o Fundo Revolution teve pedido de resgate protocolado em janeiro de 2026.
Todas as informações de investimentos realizadas pelo Rioprevidência, segundo a defesa, seguiram fluxos técnicos e legais aprovados pelo Conselho de Administração, dentro das regras vigentes. O texto também afirma que os recursos já ressarcidos retornaram ao caixa do estado, inclusive para a folha previdenciária.
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