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Desvio de nafta do PCC gera 10 mil notas frias e R$ 1,4 bi, diz Receita

MP-SP aponta desvio de nafta para adulterar combustível na Grande São Paulo; 10.076 notas frias totalizam R$ 1,4 bilhão, com uso de fintechs ligadas ao PCC

Receita Federal aponta R$ 26 bilhões em movimentações suspeitas em fraude no setor de combustíveis.
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  • Desvio sistemático de nafta petroquímica foi identificado na Grande São Paulo, envolvendo adulteração de combustíveis em postos e terminais ligados ao PCC, na 2ª fase da Carbono Oculto.
  • A empresa Petrodansk, autorizada pela ANP, é apontada como ponto de passagem para a mercadoria, que era revendida a empresas-fantasma e misturada à gasolina.
  • Foram contabilizadas 10.076 notas fiscais frias, totalizando cerca de R$ 1,4 bilhão, com operações que incluíam venda simulada de solventes provenientes da nafta.
  • O Gaeco denunciou sete suspeitos de organização criminosa e falsidade ideológica, além de crimes ligados à documentação falsa, venda irregular de combustíveis e derivados de petróleo.
  • A operação Fluxo Oculto cumpriu 59 mandados em cinco estados, e a Receita Federal aponta que seis fintechs ligadas ao esquema movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, com fundos investigados estimando patrimônio de R$ 205 milhões.

A Promotoria de Piracicaba apresentou denúncia contra oito suspeitos de desviar nafta petroquímica para adulterar combustíveis na Grande São Paulo. O ato envolve operação da facção PCC, com uso de fintechs para lavagem de dinheiro e empresas-fantasmas. A denúncia foi apresentada no início de maio pelo Gaeco.

Segundo o Ministério Público, a organização comprava nafta para uso industrial, mas desviava parte do produto para terminais em Paulínia (SP) e Arujá (SP), misturando-o com gasolina comum. O dinheiro resultante seria destinado a fintechs ligadas ao PCC.

Ao todo, a Receita Federal identificou 10.076 notas fiscais frias emitidas pela empresa Petrodansk, de Rafard, avaliadas em 1,4 bilhão de reais. A empresa seria usada como ponte para formalizar a venda de solventes derivados da nafta.

Quem foram denunciados

  • Raffaele Vestenius Masi
  • Aldo Antônio Masi
  • João Eduardo de Albuquerque
  • Igor de Souza Amorim
  • Gilmar Amori
  • Michele Gomes Vieira Silva
  • Simone Alves de Oliveira

Operação Fluxo Oculto e atuação das fintechs

A operação, na segunda fase da Carbono Oculto, aponta o envolvimento de seis fintechs em atividades de “bancos paralelos” para ocultar recursos. Ao todo, 59 mandados foram cumpridos em cinco estados, entre 28 de maio e o início desta semana.

As autoridades indicam que as fintechs movimentaram mais de 26 bilhões de reais entre 2022 e 2025, com uso para lavagem de dinheiro, sonegação e blindagem patrimonial. Quatro fundos de investimento estariam ligados ao esquema.

A ANP informou cooperação com o MP e outros órgãos, fornecendo informações técnicas e de inteligência quando irregularidades estruturadas são identificadas. A agência reforçou a necessidade de atuação conjunta.

Como operava o esquema na prática

A nafta era adquirida pela Petrodansk, autorizada pela ANP, e desviada para o mercado de combustíveis na capital paulista e região. O produto era misturado à gasolina, reduzindo custos e ampliando margens.

Após adulteração, o combustível era armazenado e distribuído para postos da região metropolitana, chegando ao consumidor como se fosse combustível regular. O objetivo era lucrar com tributos sonegados e venda de combustível adulterado.

A Promotoria aponta que a estrutura de empresas-fantasma simulava a venda de solventes derivados da nafta para “químicas”, apenas para justificar a movimentação do produto. A investigação detalha 180 páginas de denúncia.

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