- Relatório de 2025 aponta aumento de abusos sexuais infantis na China impulsionados por IA e deepfakes, com 204 crimes relatados e 690 vítimas.
- Vítimas eram principalmente meninas (95,69%); a vítima mais jovem tinha 4 anos; crimes registrados apenas refletem casos públicos, não toda a violência.
- A maior parte dos agressores conhecidos são adultos próximos às crianças, incluindo professores e funcionários escolares (42,11%), familiares (15,04%) e contatos online (21,8%).
- Crimes repetidos representaram 54,9% dos casos; houve 8 agressores menores de idade entre os 204 casos, e alguns atingiram faixa etária acima de 60 anos.
- Autoridades chinesas intensificaram ações legais e defendem prevenção via educação sexual nas escolas, governança de IA e melhoria de fiscalização online para reduzir vulnerabilidades.
O relatório lançado pela Girls Protection, ligada à Beijing Zhongyi Charity Foundation, aponta que o uso de IA e deepfakes está ampliando o abuso sexual infantil na China. Em 2025, foram analisados 204 crimes públicos envolvendo 690 vítimas, com a vítima mais jovem tendo 4 anos. Meninas representam 95,69% dos casos.
A pesquisa ressalta que a grande maioria dos abusos ocorre entre pessoas conhecidas, especialmente educadores e familiares. Entre 185 casos com dinâmica interpessoal clara, 71,89% envolveram conhecidos; professores e profissionais da escola respondem por 42,11% dos casos.
O estudo destaca ainda que crimes online ganham espaço, somando 21,8% dos casos em que a relação é conhecida. Contatos online e “molestamento remoto” incluem envio de nudez e vídeos, com efeitos psicológicos graves nas vítimas e familiares.
Ameaça principal
Casos envolvendo familiares são descritos como altamente prejudiciais e ocultos pela complexidade ética e financeira. Um caso divulgado em Haikou envolve um professor que abusou de uma criança de 10 anos, com a vítima mantendo o silêncio por anos.
Outro exemplo detalha abuso contínuo por um padrasto contra uma menina de 11 anos, ocorrido após o casamento da mãe. A mãe não percebeu os sinais de trauma até a intervenção policial. Crimes repetidos respondem por 54,9% dos casos de 2025.
A idade dos agressores também se alterou: 8 casos envolvem menores de idade, incluindo o mais jovem com menos de 10 anos. Três agressores tinham mais de 70 anos, com um caso de 93 anos envolvido em estupro.
Crimes na internet e IA
A IA e a internet elevam a sofisticação dos golpes. Predadores utilizam contas falsas, avatares e redes sociais para coagir crianças a enviar nudez ou participar de vídeos, prática reconhecida pela lei como molestamento infantil.
Promotores destacam que a dependência emocional de jovens com bots de IA aumenta riscos. Reguladores são orientados a fortalecer governança de IA, com triagem tecnológica e educação sexual nas escolas para prevenção.
O estudo cita ainda impactos psicológicos a longo prazo, com conteúdo de nudez deepfake persistente na rede. Pesquisadores apontam que a proteção familiar e a educação sexual são salvaguardas essenciais para reduzir danos.
Esforços de prevenção e justiça
As autoridades ampliaram a persecução de crimes contra menores: 73 mil indivíduos foram indiciados em 2025. Em várias regiões, prisões e condutas legais passaram por mudanças, incluindo decisões sobre detenção e medidas pós-punição.
Especialistas defendem regras claras para evitar contatos entre criminosos liberados e crianças. A vigilância digital avança com patrulhas online e uso de dados para emitir alertas à polícia. Educação sexual escolar é ressaltada como ferramenta preventiva eficaz.
Pais, escolas e plataformas digitais devem atuar de forma integrada. Profissionais da educação precisam de formação adequada, enquanto a legislação busca fechar lacunas na prevenção e responsabilização.
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