- A Justiça Eleitoral do Amapá derrubou dez páginas nas redes sociais ligadas à “milícia digital” associada ao ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, o Dr. Furlan.
- A Polícia Federal pediu prisão do ex-prefeito, de ex-secretários de comunicação e dos donos dos perfis, mas a Justiça não deferiu a prisão e autorizou buscas, apreensão e a derrubada dos perfis.
- As páginas, que divulgavam informações da Prefeitura, também eram usadas para atacar adversários com uso de deepfake, inteligência artificial e dados inverídicos.
- O inquérito aponta que R$ 25 milhões de verba pública para comunicação da prefeitura teriam sido desviados para custear influenciadores, veículos e empresas de comunicação para ações político-eleitorais.
- Dr. Furlan afirmou, nas redes, estar tranquilo e que a verdade prevalecerá, ressaltando que práticas que disseminam notícias falsas não refletem seus valores.
A Justiça Eleitoral do Amapá derrubou dez páginas em Instagram e Facebook que integravam o que a PF classifica como milícia digital ligada ao ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, o Dr. Furlan (PSD). As redes continham informações oficiais da Prefeitura, mas também ataques a adversários, com uso de deepfake e dados falsos.
A decisão foi emitida pela juíza Paola Julien, do TRE-AP, que manteve suspensa a prisão solicitada pela Polícia Federal e autorizou busca e apreensão, além da retirada dos perfis do ar. As ações foram batizadas pela PF como operação Palanque Digital.
A PF aponta que as páginas receberam cerca de 25 milhões de reais em verbas públicas, supostamente desviados para financiamento de influenciadores, veículos e empresas de comunicação para fins político-eleitorais. A apuração envolve o ex-prefeito, secretários de comunicação e donos dos perfis.
A investigação indica a divisão da organização em sete núcleos, sendo o núcleo estratégico o principal, responsável por orientar campanhas, definir pautas e alvos de ataques. O objetivo seria consolidar narrativas favoráveis a Furlan e atacar opositores.
Dr. Furlan deixou a prefeitura em março, um dia após novas ações que apuram possível fraude em licitação ligada a um hospital municipal no município. A PF detalha que o grupo atuaria na disseminação de conteúdos alinhados a interesses do ex-prefeito.
Medidas da Justiça
- Queda de dez páginas, conforme determinação do TRE-AP, mantendo o afastamento de perfis sensíveis.
- Medidas foram encaminhadas à Meta, empresa responsável pelas plataformas, para o bloqueio.
- Autorizações de busca e apreensão ocorreram sem determinação de prisões até o momento.
Contexto da apuração
- A apuração aponta desvios de verbas de comunicação municipal para financiar a milícia digital.
- A investigação envolve ainda ex-secretários de comunicação e responsáveis pelos conteúdos.
- A Justiça ressalta a necessidade de apurar a legalidade dos repasses e de coibir ataques ofensivos a adversários.
Dr. Furlan comentou, pelas redes, que está tranquilo e confiou na verdade dos fatos, afirmando que valores e ações serão esclarecidos. A defesa ainda não apresentou informações públicas sobre o andamento do processo.
A PF ressalta que a organização digital pretendia orientar campanhas, intensificar ataques e definir pautas, com desdobramentos que incluem a possível responsabilização de gestores e de pessoas ligadas aos perfis. A Justiça segue os próximos passos da apuração.
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