- As forças verdes na Europa passam por crise e estagnação, com quedas em coalizões governamentais e resultados eleitorais abaixo do esperado.
- O Partido Verde da Inglaterra e País de Gales, sob liderança de Zack Polanski, mostrou reposicionamento ao priorizar desigualdade econômica, custo de vida, moradia e aluguel.
- Três lições sugeridas para outros verdes: enfatizar redistribuição e justiça social aumenta apoio; manter posições firmes em alguns temas abre espaço para discutir outros; adotar identidade política progressista atrai ativistas e eleitores desiludidos.
- Pesquisas e evidências indicam que eleitores economicamente inseguros respondem positivamente a propostas de redistribuição, fortalecendo o catchment de votos dos verdes.
- Em contextos europeus com sistemas multipartidários fragmentados, essas estratégias podem ampliar coalizões e abrir caminho para os verdes se tornarem força de esquerda dominante.
Não é mais possível considerar as Green parties europeias imunes a mudanças. Um estudo recente analisa a virada estratégica observada no Partido Verde do Reino Unido, sob nova liderança, e propõe lições para o continente diante do que tem sido chamado de greenlash.
O estudo aponta que, após a eleição de Zack Polanski em setembro, o foco do Partido Verde britânico mudou de “crise climática” para temas como desigualdade econômica, custo de vida e moradia. A mensagem também enfatiza direitos trans e apoio a minorias.
A análise compara resultados recentes no Reino Unido com a situação de outros verdes europeus, que enfrentam estagnação e quedas em coalizões de governo. O objetivo é entender como ampliar o eleitorado sem abandonar prioridades climáticas.
Lições-chave para as green parties
Em 11 países analisados, os verdes podem ampliar a base ao enfatizar redistribuição de renda e justiça social. Pesquisas indicam que esse eixo não compromete credibilidade em clima e pode atrair eleitores com insegurança econômica.
Outra lição é manter posições firmes em temas específicos para abrir espaço para outras pautas. No caso britânico, o apoio a direitos das minorias ajudou a avançar a pauta além do clima.
Por fim, a adoção de uma identidade progressista tem ajudado a mobilizar ativismo e voter turnout. A estratégia envolve participação em frentes sociais, culturais e movimentos cívicos, além de atuação política tradicional.
Desdobramentos esperados
Os autores destacam que, em sistemas multipartidários, alianças eleitorais podem depender de políticas de renda e de uma identidade progressista bem definida. A imprensa política reforça que o momento exige clareza, não radicalismo superficial.
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