- A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976.
- O relatório, elaborado pela relatora Maria Cecília Adão, foi aprovado por seis votos e uma abstenção e substitui a versão oficial de que JK morreu em acidente de carro.
- O registro de óbito será alterado para constar morte responsável pelo Estado.
- O documento afirma fraude na perícia da época, com alterações na cena e nos laudos médicos, e aponta 37 fraudes nas investigações.
- A família de JK informou que não pretende prosseguir com as investigações; o relatório cita planos e ações da ditadura, incluindo Parasar, Condor e Código 12, além de uma tentativa de atropelamento no Leblon.
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu na sexta-feira (29) que Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar em 1976. A votação, realizada no Ministério Público Federal, em São Paulo, teve 6 votos a favor e 1 abstenção.
O relatório aponta inconsistências na versão oficial de 1976, que afirmava que JK morreu em um acidente de carro. O documento indica que o óbito deve ser registrado como morte causada pelo Estado.
A relatora Maria Cecília Adão afirma que o inquérito ganhou novas evidências sobre a atuação de agentes do regime na época. O registro de óbito pode passar a registrar “morte responsável pelo Estado”.
A família de JK informou ao público que não deseja retomar as investigações. O texto expõe que Kubitschek foi cassado e perseguido pelo regime, com planos para neutralizar adversários.
Principais conclusões da investigação
- Ato violento contra JK envolve várias frentes: planos para impedir eleições e ações para eliminar adversários; operações e ameaças de acidentes.
- O relatório cita avisos de Armando Falcão e Roberto Marinho em fevereiro de 1976.
- A imprensa já havia veiculado a notícia de morte de JK na Dutra duas semanas antes do falecimento.
- A morte é apontada como ocorrida em 22 de agosto de 1976, com ocultação por perícia fraudulenta.
- Ao todo, a CEMDP aponta 37 fraudes nas investigações originais.
Sobre o caso e próximos passos
O estudo da CEMDP retoma a discussão sobre as circunstâncias da morte de JK e de Geraldo Ribeiro, sugerindo assassinato pela ditadura. O conteúdo, ainda em avaliação, contrasta com a conclusão da Comissão Nacional da Verdade (2014) de acidente.
Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, o relatório está em análise pelos membros da comissão e não houve decisão final até o momento.
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