- Pesquisa do Projeto Brief com 2.483 brasileiros mostra receio de manipulação eleitoral por IA, e dificuldade em distinguir conteúdo real de sintético.
- Indícios indicam que a apreensão aumenta após ver vídeos gerados por IA; 74,1% ficaram preocupados com influenciar eleições, ante 74,5% que assistiram ao conteúdo original.
- Apenas 45,3% dos entrevistados que assistiram ao vídeo gerado por IA identificaram corretamente o conteúdo como artificial; entre quem tem 61 anos ou mais, apenas 20,9% reconheceram a origem sintética.
- Há desorientação também entre os que viram o vídeo original: 33,9% acreditaram ter sido gerado por IA e 40,7% o identificaram como autêntico. Jovens (18 a 29 anos) apresentam melhor desempenho na detecção (58,2%).
- Transparência é valorizada: 83,2% querem saber quando o conteúdo foi criado por IA. Ao mesmo tempo, 52,6% veem benefício da IA para decidir melhor, e 60,9% veem risco de manipulação.
- O estudo aponta contradição: muitos consultariam IA para informação política (62,9%), mas apenas 23,2% confiam mais em fontes humanas; 13,9% não confiam em IA para informações políticas.
A pesquisa do Projeto Brief indica que o eleitor brasileiro já teme a manipulação eleitoral por meio de inteligência artificial, mas não consegue distinguir com segurança o real do fabricado. O estudo, realizado entre 25 e 29 de abril de 2026, aponta desassossego ainda antes das próximas votações.
A maioria dos brasileiros acredita que a tecnologia pode influenciar votantes. Ao mesmo tempo, grande parte não distingue conteúdos gerados por IA de informações autênticas, o que aumenta a sensação de vulnerabilidade em relatos políticos.
Entre quem assistiu a vídeos sobre o tema, o receio de uso indevido da IA aumenta, e a confiança em conteúdos sintéticos cresce mesmo diante de materiais originais. O simples contato com esse tipo de conteúdo amplia a percepção de fragilidade.
Resultados-chave do estudo
Entre os pesquisados que viram vídeos gerados por IA, apenas 45,3% reconheceram a artificialidade. O indicador é mais grave entre pessoas com 61 anos ou mais, dos quais apenas 20,9% identificaram a origem sintética.
Entre os que assistiram ao vídeo original, 33,9% acreditaram ter sido gerados por IA. Apenas 40,7% disseram ver o conteúdo como autêntico, evidenciando desconfiança generalizada.
A diferença geracional é expressiva: entre os jovens de 18 a 29 anos, 58,2% acusaram o vídeo fabricado. Já entre os mais velhos, o índice é bem menor, revelando disparidades de repertório digital.
IA como fonte de informação
Ao questionar sobre consultar IA para informações políticas, 62,9% mostraram abertura, sendo 22,4% propensos a ver a IA como fonte útil. Outros 40,5% utilizariam a IA, mas verificariam a informação em outras fontes.
Somente 23,2% disseram preferir fontes humanas, como jornalismo tradicional, e 13,9% não confiam em IA para decisões políticas. A pesquisa ressalta contradição entre medo e uso cotidiano da ferramenta.
Percepção de risco e transparência
Mais da metade dos entrevistados (52,6%) concorda que IA pode ajudar na tomada de decisões políticas. No entanto, 60,9% veem a tecnologia como capaz de enganar. Quase metade (49,4%) considera conteúdo gerado por IA falso por natureza.
Há consenso sobre transparência: 83,2% querem saber quando um conteúdo foi criado por IA, sem proibir a tecnologia, apenas exigir identificação.
Contexto político e percepção de controle
Entre eleitores de direita, a confiança em conteúdos de IA fica em 25,2% após vídeo gerado e 23,5% após o original. Entre eleitores de esquerda, os índices são 62,9% e 64%. Mesmo com divergências, a preocupação é comum.
Quando pergunta-se quem deveria fiscalizar o uso da IA na política, 51,6% apontam o Tribunal Superior Eleitoral. Em seguida aparecem governo federal, plataformas digitais e cidadãos, em diferentes níveis de influência.
Sobre o método
O levantamento envolveu 2.483 participantes de todo o país, divididos em três grupos: controle, expostos a vídeo de IA e expostos a vídeo original. Os dados ajudam a entender o ambiente político em contato com IA.
Os resultados indicam que o debate político já mudou de patamar: não é apenas o conteúdo falso que preocupa, mas a incerteza que surge ao reconhecer que a IA pode enganar e que a checagem pode não ser suficiente para evitar erros de voto.
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