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Empresa ligada a pré-candidato do PL ganha R$16 milhões em contratos no RJ

Construtora ligada ao pré-candidato do PL no Rio recebeu R$ 16 milhões em reformas de escolas, alvo de PF e TCE por supostas irregularidades nos contratos

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) durante ato de campanha do empresário Renato Araújo (PL), candidato a prefeito de Angra dos Reis (RJ), em 2024
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  • Uma construtora ligada ao empresário Renato Araújo, pré-candidato pelo PL, firmou ao menos R$ 16 milhões em contratos para reformar escolas na gestão de Cláudio Castro no Rio de Janeiro.
  • As obras são alvo de apuração da Polícia Federal envolvendo o ex-deputado Rodrigo Bacellar e levou à prisão do deputado Thiago Rangel; irregularidades também motivaram a suspensão de pagamentos pelo TCE às empresas envolvidas, incluindo a Bravo Construções, associada à mulher de Araújo.
  • Em 2025, a Bravo foi escolhida para reformar quinze unidades escolares, com custo total de R$ 16,2 milhões; o TCE aponta uso de procedimento similar a reformas de pequeno porte para grandes obras.
  • A Secretaria de Educação informou que está revisando os procedimentos administrativos para ampliar transparência e eficiência na aplicação de recursos públicos; mudanças incluem teto de R$ 130 mil para compras pelas Associações de Apoio às Escolas estaduais.
  • A Bravo Construções afirmou que as contratações ocorreram por meio de processos licitatórios regulares e que a empresa possui trajetória de mais de quinze anos no setor, dizendo não haver relação da família Bolsonaro com a empresa.

Uma construtora ligada ao empresário Renato Araújo, pré-candidato a deputado federal pelo PL no Rio de Janeiro, fechou contratos de pelo menos 16 milhões de reais para reformar escolas públicas na gestão do governador Cláudio Castro. As obras estão sob investigação da Polícia Federal e são indicadas como parte de um inquérito envolvendo o ex-deputado Rodrigo Bacellar.

A PF prendeu Thiago Rangel, deputado estadual, no âmbito dessas apurações. Em paralelo, o Tribunal de Contas do Estado suspendeu pagamentos a empresas envolvidas, incluindo a Bravo Construções, que é ligada a Araújo, diante de irregularidades identificadas na contratação de reformas em unidades de ensino.

A Bravo Construções informou que apresenta propostas de preços com critérios técnicos, e que as contratações decorrem de uma trajetória sólida, anterior a qualquer vínculo político. A defesa de Bacellar afirmou desconhecer o tema e negou crimes.

Nos registros da Receita Federal, a Bravo aparece em nome de Tainá Nóbrega de Souza, mulher de Araújo. O empresário, porém, integrava o quadro societário da empresa até 2024 e, em documentos entregues à Secretaria de Educação em 2025, assina como diretor-geral.

A Secretaria de Educação informou que está revisando procedimentos para ampliar a transparência e eficiência na aplicação de recursos públicos. Entre as mudanças, a pasta citou o teto de 130 mil reais para compras realizadas pelas Associações de Apoio às Escolas em intervenções emergenciais.

A investigação também envolve a atuação das Associações de Apoio às Escolas, que autorizam repasses de recursos do Tesouro para obras sem licitação formal. Dados do TCE apontam aumento expressivo dos repasses a essas AAEs entre 2020 e 2025, suscitando questionamentos sobre a legalidade dos procedimentos.

Segundo o TCE, as obras não teriam partido de demandas diretas das unidades, mas de decisões da secretaria. Em um caso citado, representantes de uma escola em Nova Iguaçu descreveram problemas de alagamento que teriam motivado intervenções hidráulicas e, posteriormente, troca de telhado com custo elevado.

A Bravo Construções afirmou ter executado 90% dos 15 contratos sob sua responsabilidade, com aprovação de diretores e coordenadores regionais. A empresa sustenta que não tinha conhecimento de limitações que pudessem contrariar os certames.

As investigações também apontam que Bacellar exercia controle sobre nomeações na Secretaria de Educação e distribuições de contratos para aliados. Thiago Rangel foi preso durante a operação da PF, suspeito de desvio de recursos em escolas do Norte Fluminense, área de sua base eleitoral.

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