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Governo tenta barrar revisão da ANP que prevê venda fracionada de gás de botijão

Governo questiona revisão da ANP que permitiria venda fracionada de GLP, apontando riscos de fraude, insegurança ao consumidor e impacto no Gás do Povo

Botijão de gás (foto: Marcello Casal/Agência Brasil)
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  • O Ministério de Minas e Energia enviou à Agência Nacional do Petróleo um ofício questionando a revisão das regras de comercialização do gás de botijão, que preveem venda fracionada e fim das marcas nos recipientes.
  • A ANP avalia as novas minutas de resolução em reunião da diretoria, com consulta pública prevista.
  • O MME afirma que enchimento fracionado e envase de recipientes de outras marcas podem aumentar riscos de fraude, comprometer a segurança do consumidor e dificultar a implementação do programa Gás do Povo.
  • Há argumentação de que, se aprovadas, as medidas poderiam favorecer fraudes, adulterações e desvios, além de elevar riscos ao crime organizado na cadeia de GLP.
  • Estudos indicam que o setor opera com concentração de mercado e levantam preocupações sobre fiscalização, com o Brasil ocupando a posição de sexto maior mercado mundial de GLP.

O Ministério de Minas e Energia encaminhou um ofício à Agência Nacional do Petróleo, GNBR, questionando a revisão das regras que autorizam venda fracionada de GLP e a eliminação de marcas nos botijões. A ANP avalia as novas minutas de resolução em reunião marcada pela diretoria.

O MME sustenta que o enchimento fracionado e o envase de recipientes de outras marcas apresentam riscos de rastreabilidade, responsabilização, segurança do consumidor e integridade dos controles. O documento afirma que tais medidas podem comprometer políticas públicas do setor.

Segundo o ofício, o objetivo do Gás do Povo é vender botijões lacrados, cheios e com selo de inviolabilidade para evitar fraudes. O MME afirma que as propostas da ANP vão contra a legislação que criou o programa e podem dificultar sua implementação.

O ministério aponta que a ANP tem função de regular e implementar a política energética nacional. Em caso de aprovação, haveria riscos de sujeição do mercado de GLP ao crime organizado, com previsão de fraudes, adulterações e desvios tecnológicos.

Segundo o setor, as mudanças ganharam espaço na ANP após argumentos de empresas de revenda e atacado de que o fracionamento reduziria preços, sem comprovação robusta. O mercado brasileiro de GLP é o sexto do mundo, com cerca de 400 milhões de botijões/ano.

A maioria do mercado é controlada por cinco empresas após a saída da Liquigás. Copagaz, Ultragaz, Nacional Gás, Supergasbras e Consigaz somam quase 96% da participação, conforme dados do Sindigás.

Sérgio Bandeira de Mello, presidente do Sindigás, destaca que a marca é central para rastreabilidade. Ele afirma que o debate regulatório deve considerar impactos econômicos e a proteção ao consumidor, citando riscos de infiltração do crime organizado.

Debates e desdobramentos

O texto em discussão envolve seis medidas, entre elas o possível open access, que obrigaria engarrafadores a atender todas as empresas. Também há a ideia de destinar cotas para polos da Petrobras a pequenas empresas e terminar com a exclusividade de marcas nas revendas.

Estudo da USP aponta riscos de entrar organizações criminosas na distribuição de GLP, citando paralelos com México e Paraguai. O estudo recomenda cooperação entre órgãos federais e estaduais para evitar fraudes e aumentar a fiscalização.

A USP ressalta que a fiscalização enfrenta limitações institucionais. O estudo reforça a necessidade de cooperação entre Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público, Coaf e governos estaduais para evitar ocorrências semelhantes à operação Carbono Oculto.

Fonte associada ao setor afirma que, sem comprovação, o fracionamento é apresentado como caminho para reduzir preços. Esta nota é utilizada para sustentar debates internos na ANP, conforme pontos citados no relatório da USP.

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