- Os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, e o Planalto prepara uma nota oficial a ser divulgada ainda nesta sexta-feira.
- O texto deve apontar os danos potenciais à economia, incluindo ao PIX, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central.
- A ideia é provocar uma reação parecida com o tarifaço, reforçando a parceria entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quer confronto com o governo de Donald Trump e busca manter o diálogo para evitar reflexos econômicos.
- O governo argumenta que destacar riscos ao PIX serve para pressionar pela retomada de canais diretos de negociação com Washington.
O Palácio do Planalto prepara uma nota oficial para ser divulgada ainda nesta sexta-feira (29) em resposta à classificação, pelo governo dos EUA, de as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O objetivo é esclarecer impactos potenciais para a economia brasileira, incluindo o PIX, sistema de pagamentos instantâneos do BC. A estratégia é buscar um efeito semelhante ao das medidas de tarifas impostas pelo governo americano.
O texto também reforçará que a cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado permanece firme, mantendo parcerias existentes para enfrentar as facções. Segundo interlocutores ouvidos pelo blog, o governo busca demonstrar que a relação com Washington continua ativa e institucional.
Lula não pretende alimentar um confronto direto com a gestão de Donald Trump, segundo apurações da equipe. Na prática, o governo pretende apresentar dados que indiquem impactos econômicos e, ao mesmo tempo, manter o canal de diálogo com o governo norte-americano, evitando escaladas desnecessárias.
Na órbita eleitoral, a posição busca mostrar responsabilidades compartilhadas nos efeitos sobre o setor financeiro e no ambiente de pagamentos, com foco no PIX. A medida norteia a comunicação para o público, destacando riscos e a necessidade de cooperação internacional para enfrentar o crime.
Diversos auxiliares próximos ao presidente foram consultados sobre o tema, incluindo o chanceler Mauro Vieira e o assessor Celso Amorim, além de ministros da Justiça e da Fazenda. A postura busca manter a pauta em nível institucional, sem desavenças públicas.
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