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MPF afirma que ditadura queimou corpos de desaparecidos em usinas da Paraíba

MPF abre ação civil contra União e Estado da Paraíba por violações dos direitos humanos na ditadura, incluindo assassinatos, desaparecimentos e cremação de corpos

Fachada da sede do Ministério Público Federal da Paraíba, em João Pessoa
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  • Ministério Público Federal (MPF) processa a União e o estado da Paraíba por violações de direitos humanos durante a ditadura, envolvendo tortura, assassinatos e desaparecimentos de trabalhadores rurais e lideranças das Ligas Camponesas entre 1964 e 1981.
  • A ação sustenta que perseguidos políticos foram levados a usinas de açúcar, onde teriam sido mortos e os corpos incinerados em fornalhas para eliminar vestígios.
  • Entre as vítimas estão João Alfredo Dias, conhecido como Nego Fuba, e Pedro Inácio de Araújo, conhecido como Pedro Fazendeiro, considerados os primeiros desaparecidos políticos da época.
  • A Procuradoria cita a confissão de um cabo da Polícia Militar de que os corpos foram levados à Usina São João ou à Usina Santa Helena e queimados para destruição de vestígios biológicos.
  • O processo requer responsabilização póstuma de três militares (coronel Ednardo D’Ávila Mello, major José Benedito Montenegro de Magalhães Cordeiro e coronel Luiz Ferreira Barros) e medidas como suspensão de pensões, indenização a herdeiros, desculpas oficiais, abertura de arquivos e criação de uma força-tarefa de desaparecidos, além de incluir a história das Ligas Camponesas nos currículos da Paraíba.

O Ministério Público Federal moveu uma ação civil pública contra a União e o estado da Paraíba, acusando violações de direitos humanos durante a ditadura militar. A ação foi ajuizada na terça-feira (dia 26) e aponta torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados de trabalhadores rurais e integrantes das Ligas Camponesas entre 1964 e 1981. A denúncia sustenta que parte dos perseguidos foi levada a usinas de açúcar, onde teriam seus corpos incinerados para ocultar vestígios.

A Procuradoria aponta que agentes públicos e grupos vinculados a latifários atuaram de forma coordenada para sufocar o movimento camponês. Entre os casos citados estão desaparecimentos de militantes da Paraíba, incluindo Nego Fuba e Pedro Fazendeiro, considerados os primeiros desaparecidos políticos da ditadura no Brasil. Segundo relatos, houve vigilância, prisões ilegais e destruição de documentos trabalhistas.

Segundo a ação, um agente da Polícia Militar, identificado como cabo Chiquinho, teria informado que as vítimas eram levadas a usinas específicas e executadas, com corpos destruídos nas fornalhas. A peça também menciona que familiares recebiam respostas evasivas ao buscar informações. A denúncia sustenta que a violência contra trabalhadores rurais continuou após 1985, com assassinatos de lideranças rurais e resistência à transição democrática.

Desdobramentos legais e pedidos

O processo requer responsabilização geral e individual pelos crimes, incluindo responsabilização póstuma de oficiais apontados como Vítimas de desaparecimentos. A ação pede a interrupção de pensões e benefícios, ações contra espólios, revogação de homenagens públicas e medidas de indenização. Também solicita desculpas oficiais, abertura de arquivos, criação de uma força-tarefa de busca de desaparecidos e inclusão do tema nos currículos escolares da Paraíba.

A União e o estado da Paraíba não confirmaram ou comentaram a ação até o momento. A AGU não respondeu a contatos enviados pela reportagem. A Procuradoria da República reforça que os casos citados integram um capítulo emblemático do terrorismo de Estado e que a matéria continua sob análise.

A Advocacia-Geral da União, a Procuradoria-Geral do Estado da Paraíba e outras autoridades não divulgaram novas informações até o fechamento deste texto. A ação destaca a importância de esclarecer responsabilidades e promover reparação às vítimas e aos familiares.

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