- Cerca de 41,4 milhões de colombianos vão às urnas no domingo para escolher o presidente; a votação marca uma polarização inédita, com candidatos de esquerda à extrema direita.
- No primeiro turno, Iván Cepeda (Pacto Histórico) lidera, enquanto Abelardo de la Espriella (Defensores da Pátria) representa a extrema direita; Paloma Valencia (Centro Democrático) é a opção de centro-direita e pode se tornar a primeira mulher eleita do país.
- O segundo turno está previsto para 21 de junho; pesquisas indicam cenários abertos, com indecisos e a possibilidade de vitória de Cepeda contra Valencia, ou contra Espriella.
- A campanha foi atípica: houve poucos debates entre os principais candidatos, com Cepeda fazendo comícios e Espriella atuando mais nas redes sociais, explorando o emocional.
- No campo da segurança, Espriella defende linha dura contra o crime, Cepeda defende reformas sociais e, em caso de impasse no Congresso, fala em Assembleia Constituinte; Valencia tende a retomar cooperação com os Estados Unidos.
A eleição presidencial na Colômbia começa a marcar uma mudança expressiva no cenário político. Cerca de 41,4 milhões de colombianos vão às urnas num pleito em que a disputa transcende o tradicional eixo centro-direita versus centro-esquerda, empurrando o país para posições mais radicais.
Dos 11 candidatos, dois aparecem na frente: Iván Cepeda, do Pacto Histórico, à esquerda, e Abelardo de la Espriella, do Defensores da Pátria, à extrema direita. A votação ocorre com Petro limitando-se ao cargo, já que não pode concorrer à reeleição. A definição do segundo turno está prevista para 21 de junho.
A terceira candidata de peso é Paloma Valencia, representante da centro-direita tradicional pelo Centro Democrático, criado por Álvaro Uribe. Vale a expectativa de que Valencia possa se tornar a primeira mulher eleita presidente no país, caso avance.
O tom geral é de ruptura com o passado. Analistas destacam que a Colômbia pode experimentar uma linha política mais firme, alinhada a figuras como Bukele, Milei e Trump, em comparação com as gestões anteriores. A mudança, no entanto, não tem debates formais entre os candidatos.
O panorama eleitoral ganhou destaque pela ausência de debates entre os principais postulantes, o que reduziu o contraste público entre propostas. Cepeda tem centrado a campanha em comícios, enquanto Abelardo investe em redes sociais com mensagens diretas.
A disputa acirra as preocupações com a institucionalidade. Especialistas apontam que a alternância política é essencial para a democracia, e ressaltam o risco de fragilidade institucional caso as propostas avancem sem consenso.
Pesquisas indicam vários cenários em aberto para o segundo turno. Cepeda lidera com algo em torno de 35% das intenções, seguido por possíveis 25% de Abelardo ou de Paloma Valencia, em palcos distintos de empate técnico.
Analistas ressaltam que a eventual vitória de Valencia poderia impor um choque moderado, elevando a chance de derrotar Cepeda no segundo turno. Já Abelardo enfrenta rejeição significativa entre diferentes grupos, especialmente entre mulheres.
Questões de segurança dominam o debate público, com foco no combate ao crime, à criminalidade urbana e à atuação de grupos armados. A continuidade de políticas de paz e negociações com organizações ilegais é vista como tema sensível.
Paola Montilla, da Escola de Governo da Universidade Externado, afirma que o resultado depende da capacidade de cada candidato de apresentar propostas factíveis e de conquistar a confiança do eleitorado, frente a um cenário de incerteza.
Jorge Restrepo, da Universidade Javeriana, ressalta que o tema da segurança é central, mas as prioridades mudaram do conflito armado para a criminalidade urbana, o que influencia a percepção sobre as alternativas de governança.
O entendimento entre votos e propostas envolve o apoio a políticas de direitos humanos, inclusive com relatos de atuação histórica de Cepeda, e posições de La Espriella em relação ao endurecimento do combate à criminalidade.
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