- O governo brasileiro avalia que a designação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas estrangeiras pelo governo dos Estados Unidos teve leitura política ligada à eleição brasileira.
- A medida ocorreu após reunião de Flávio Bolsonaro em Washington e pode ter impactos políticos, econômicos e de segurança pública.
- Há expectativa de que novas ações dos EUA, possivelmente tarifas sob a seção 301 da Lei de Comércio, possam vir durante o período eleitoral.
- O governo Lula permanece cauteloso, destacando que não houve confirmação de participação direta de Donald Trump, mas reconhece o uso político do episódio por aliados de Flávio.
- As atenções permanecem voltadas ao cenário eleitoral de outubro, com o governo se preparando para eventuais desdobramentos, sem classificar a ação como interferência oficial.
O governo de Lula avalia que a decisão dos Estados Unidos de designar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras pode interferir nas eleições brasileiras. A medida ocorreu após encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e autoridades norte-americanas.
Auxiliares do Planalto disseram à BBC News Brasil, em caráter reservado, que a decisão tem potencial de impactar política, economia e segurança pública. A avaliação é de que o ato foi articulado para favorecer a campanha de Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Senado.
A designação foi anunciada pelo governo de Donald Trump na quinta-feira, 28/5, após reunião de Flávio Bolsonaro com o ex-presidente e com o secretário de Estado. O senador afirmou ter defendido a medida e que houve apoio de Trump e Rubio.
Para o governo brasileiro, a medida guarda caráter político e pode ditar impactos além da área policial, com possíveis efeitos comerciais e diplomáticos. O temor é de que novas ações venham durante o período eleitoral.
Reação interna e cautela
Um segundo auxiliar destacou a imprevisibilidade do governo Trump e disse que não é possível cravar intenções de interferência deliberada. A prioridade é preparar respostas para eventuais novas medidas.
A nota oficial do Palácio do Planalto não classifica a ação como interferência, mas critica envolvimento de atores domésticos que pediram a designação. A fala ressalta a defesa da neutralidade institucional.
Cenário e desdobramentos
Um assessor lembrou que Trump já impôs tarifas antes da eleição, o que gerou crise diplomática com o Brasil. O governo brasileiro tem avaliado ações políticas, econômicas e de segurança pública como possibilidades de respostas.
Eduardo Bolsonaro afirmou em redes sociais que novas ações de Trump podem surgir. O ex-deputado participou das reuniões em Washington, reforçando o alinhamento com o irmão Flávio.
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