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Beto Louco e Primo admitem delação de R$ 100 mil a fiscal na BA

Delação expõe esquema de sonegação na Sefaz da Bahia, com propina de até R$ 100 mil mensais, prisões de fiscal e empresário e desdobramentos

Os empresários Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, Beto Louco
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  • Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e o empresário Beto Louco firmaram delação que descreve um esquema de sonegação e corrupção na Secretaria da Fazenda da Bahia, iniciado em outubro de dois mil e vinte e dois e com duração de dois anos.
  • A operação resultou na prisão do ex-coordenador de combustíveis da Sefaz, Olavo Oliva, e do empresário Cyro Valentini; Valentini afirma estar à disposição para esclarecer os fatos e mantém a defesa da inocência.
  • Segundo os delatores, havia uma rede de favorecimento para importação de combustível por meio de fraude tributária, com atuação antiga em São Paulo e expansão para a Bahia envolvendo a Dax Oil, em Camaçari.
  • O esquema incluía pagamentos mensais de propina a Oliva, com repasses a um contador, além de acordos para beneficiar a Dax Oil com regime especial de tributação; houve também indicações de desvio de recursos para ICMS.
  • A delação de Beto Louco e Mohamad está sob negociação com o Ministério Público de São Paulo, a PGR e o Ministério Público da Bahia, com desdobramentos previstos em investigações que vão além da Operação Khalas.

A delação apresentada por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, detalha um esquema de corrupção na Secretaria da Fazenda da Bahia. A acusação envolve pagamento de propina a um fiscal e fraude tributária, segundo a colaboração.

A investigação levou à prisão do fiscal Olavo Oliva, ex-coordenador de combustíveis da Sefaz, e do empresário Cyro Valentini. Valentini afirma estar à disposição das autoridades e confia na comprovação de sua inocência.

A atuação no estado começou em outubro de 2022 e durou cerca de dois anos, envolvendo Jailson Couto Ribeiro, da rede Lubrijau. O esquema teria partido de uma parceria para importar combustível com fraude fiscal, com promessas de propina a Oliva.

Segundo os delatores, o grupo operava com a compra de gasolina em condições que minimizavam impostos, com apoio de Valentini, empresário da Dax Oil, em Camaçari. Os combustíveis eram processados em uma unidade no interior da Bahia.

Após firmar a aliança com Valentini, Primo e Beto Louco passaram a controlar 67% dos postos Lubrijau e iniciaram as operações, com pagamentos mensais de propina ao fiscal por meio de um contador.

Entre as etapas, houve registros de pagamentos e pagamentos específicos para evitar fiscalizações. Em janeiro de 2024, houve alerta de que a Sefaz havia descoberto notas da distribuidora de São Paulo, segundo as mensagens entre os envolvidos.

Em maio de 2024, houve pagamento de 500 mil reais para acelerar um processo que beneficiaria a Dax Oil com regime especial de tributação na Bahia, conforme a delação. Ainda no período, Valentini rompeu com o grupo após suspeitas de desvio de 34 milhões.

Em 2025, o contador passou a não oferecer mais blindagem, e Jailson assumiu a intermediação, apontando que seria necessária propina de 10% para quitar uma multa de 9,9 milhões de reais em tributos. Mensagens entre os envolvidos registraram o diálogo financeiro.

Outras comunicações indicaram alinhamento com ações para neutralizar fraudes na Sefaz. Em fevereiro de 2025, Jailson enviou notícia de um blog baiano com tom crítico à fiscalização, citando o coordenador Olavo.

Nota do governo

A Secretaria da Fazenda da Bahia afirmou que a operação Khalas demonstra compromisso do governo com a apuração de irregularidades. A defesa de Cyro Valentini Júnior sustenta a inexistência de conduta ilícita e confia na conclusão das investigações.

Delações negociadas

As delações de Beto Louco e Primo também estavam em negociação com o MP de São Paulo e com a PGR. Em São Paulo, promotores teriam interesse em informações sobre o PCC, que os delatores negam possuir. Em Brasília, a PGR avaliava o material, considerando-o insuficiente para avançar. No Ceará, o caso ainda não teve desdobramentos.

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