- O legado de Gustavo Petro na Colômbia inclui crise no sistema de saúde, com déficit fiscal elevado e baixo crescimento do PIB que afetam a governabilidade.
- Pacientes relatam dificuldade de acesso: idosa de 77 anos aguarda consulta há quatro meses e enfrenta problemas para conseguir medicamentos.
- Em famílias, há relatos de desassistência médica e de falhas no fornecimento de remédios, com casos de pacientes em situação crítica nas portas de clínicas.
- Reforma da saúde permanece sem solução: governo aponta dívidas das Entidades Prestadoras de Saúde (EPS) e orçamento insuficiente; reformas apresentadas foram rejeitadas ou estão em debate “zumbi”.
- A política está marcada por polarização: alguns veem avanços sociais, enquanto outros enxergam pouca mudança estrutural; Petro defende uma reforma maior do Estado para o setor.
Agustina Viracachá, de 77 anos, enfrenta dificuldade de acesso a serviços de saúde na Colômbia. Ela aguarda há quatro meses por uma consulta com especialista em EPS, sofrendo de enxaqueca, asma e agravamento de estado de saúde. Em várias madrugadas, reclama atendimento e relatos de pessoas sem solução por telefone ou site.
A situação ilustra a crise no sistema de saúde, tema recorrente em pesquisas de intenção de voto para as eleições. A deterioração da prestação de serviços é apontada como uma das principais dívidas do governo de Gustavo Petro, que encerra seu mandato na próxima semana.
Em entrevista à CNN, Viracachá descreveu a evolução do problema: consultas interrompidas desde outubro do ano anterior e dificuldade de obter medicamentos nas farmácias. Ela depende da pensão do antigo esposo e teme não ter recursos para manter o tratamento.
Pacientes enfrentam situações extremas, como a morte de Kevin Acosta, 7 anos, à espera de medicamento para hemofilia. O caso retrata o impacto real da crise sobre famílias e populações vulneráveis, segundo relatos apresentados pela imprensa.
Crise na saúde pública e propostas de reforma
O repórter conversa com Juan Carlos Giraldo, diretor da Associação de Clínicas e Hospitais, que aponta dívidas com EPS, orçamento insuficiente e instituições à beira da falência. Ele diz que há divergências sobre o formato da reforma, com debates há três anos sem consenso.
O governo atribui a crise ao mau uso de recursos em algumas EPS e à resistência estrutural de setores do setor privado. Petro defende uma reforma que aumente o papel do Estado na saúde, com foco preventivo e regiões remotas, conforme entrevista à imprensa local.
A depender da leitura de analistas, a reforma da saúde é apenas uma entre várias propostas que não avançaram no Congresso. Controvérsias sobre reformas da justiça, do sistema eleitoral, política e agrária também marcaram o mandato de Petro, segundo especialistas ouvidos pela imprensa.
Analistas destacam que, apesar de avanços em alguns temas sociais, o governo ficou aquém de consolidar mudanças estruturais. Um grupo aponta que o projeto de governo dialogou com diferentes correntes, mas perdeu apoio no Legislativo, prejudicando a condução das reformas.
Críticos argumentam que houve polarização significativa, com impactos perceptíveis na governabilidade. Enquanto alguns atribuem avanços a reformas trabalhistas, outros veem um intervalo de mudanças apenas superficiais, sem transformação estrutural.
Apesar das controvérsias, Petro celebra apoio popular em parte das pesquisas, destacando resultados positivos em áreas que não necessariamente traduzem reformas amplas. A Assembleia Nacional Constituinte permanece apresentada como opção para enfrentar problemas estatais, segundo o próprio presidente.
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