- Iván Cepeda, senador pelo Pacto Histórico, venceu as primárias e passou a ser visto como o principal candidato da esquerda para 2026.
- Sua campanha se caracteriza por alta exposição mediática controlada, com poucos entrevistas e sem debates públicos.
- O impulso ocorreu após o caso envolvendo o ex-presidente Álvaro Uribe; em julho de 2025 Cepeda se tornou o principal candidato à Presidência.
- A dupla dele na chapa é com Aida Quilcué; Cepeda é filho de líderes de movimentos de esquerda assassinados e já foi exilado entre 1998 e 2004.
- Analistas destacam que, apesar do favoritismo, é desafio conquistar votos de centro e eleitores descontentes com a gestão de Petro; vencer no primeiro turno não é assegurado.
Iván Cepeda, senador ligado ao governo de Gustavo Petro, entra no primeiro turno das eleições na Colômbia como o principal alvo de adversários de esquerda. A campanha tem sido marcada por pouca exposição na mídia, com muitos eventos públicos e sem debates.
Cepeda, 63 anos, representa o Pacto Histórico e venceu as primárias internas do partido para concorrer à presidência em 2026. O perfil discreto contrasta com o momento de alta tensão política no país, envolvendo casos de violação de direitos humanos e a chamada paz total.
O atual cenário eleitoral ganhou impulso após o caso Uribe, que, mesmo com processos distintos, elevou a visibilidade de Cepeda ao longo de 2025. Em julho de 2025, juiz o colocou como provável candidato presidencial, apesar de o ex-presidente ter sido absolvido posteriormente em parte das acusações.
Cepeda é filho de Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994, e de Yira Castro, falecida em 1981. A trajetória dele inclui atuação como defensor de direitos humanos, exílio entre 1998 e 2004 e participação em iniciativas de paz envolvendo governos, FARC e ELN.
Perfil do candidato
Cepeda nasceu em Bogotá, em 24 de outubro de 1962. Estudou filosofia na Universidade de São Clemente de Ohrid, na Bulgária, e direito internacional humanitário na Universidade Católica de Lyon, na França. É casado com Blanca del Pilar Rueda, funcionária da JEP, e tem dois filhos.
A atuação parlamentar inclui histórias de paz, cooperação com comissões de paz e denúncias de parapolítica. No Congresso, presidiu a Comissão de Paz e participou de diálogos com grupos armados, mantendo foco em direitos humanos.
Campanha e propostas
A plataforma de Cepeda reforça a continuidade da política de paz total, defesa de direitos humanos e reconciliação nacional. Em política externa, defende uma posição independente, reconhecimento de um Estado palestino e proteção aos migrantes.
No âmbito social, o candidato sinaliza uma “revolução agrária” e uma economia popular com compras públicas direcionadas a comunidades. Aposta ainda em uma “revolução democrática” para consolidar mudanças já iniciadas pelo governo atual.
Cenário político e chances
Cepeda chegou ao primeiro plano eleitoral em função das disputas internas na esquerda e das primárias de outros atores. O apoio de aliados do governo e a performance de seu partido fortalecem a posição dele, embora haja ceticismo sobre vencer no primeiro turno.
Ele é tido como candidato do governo e do Pacto Histórico, recebendo apoio de outros candidatos na chapa, como Aida Quilcué, cotada para vice. Analistas destacam que a campanha tem adotado uma estratégia de controle de mídia e ausência de debates.
Desafios e próximos passos
Caso avance para o segundo turno, Cepeda precisará ampliar o apelo entre eleitores do centro e indecisos, além de enfrentar críticas ao desempenho do governo Petro e à implementação de políticas de paz. A viabilidade de vencer sem ampliar apoio fora do espectro da esquerda permanece em análise.
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