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Concessões rodoviárias colocam em xeque bandeira eleitoral de Tarcísio

Governo Lula supera Tarcísio em quilômetros de rodovias concedidos; em São Paulo, PPPs e maior complexidade elevam o custo e o tempo de obras

Tarcísio de Freitas em 2026
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  • Tarcísio de Freitas, ex-ministro da Infraestrutura, tem histórico de concessões rodoviárias menor em extensão total do que gestores de aliados e adversários.
  • No governo Bolsonaro (2019–2022), leilou cerca de 3.900 km de rodovias; no atual governo, o Ministério dos Transportes planeja superar 14 mil km até o fim do ano, conforme metas de 2026.
  • Em São Paulo, como governador, realizou seis leilões (2019–2022), transferindo 1.614 km; gestões anteriores somaram mais malha concedida, com investimentos previstos superiores à atual gestão.
  • O Palácio dos Bandeirantes diz que comparar apenas extensão ou valores não define eficiência; ressalta que é preciso considerar desempenho, qualidade dos serviços e segurança viária.
  • O governo paulista adotou modelos PPP patrocinados em parte das concessões, com parcelas de investimento financiadas pelo Tesouro, ao contrário de propostas anteriores que buscavam financiamento mais ativo via pedágios.

Tarcísio de Freitas, hoje no governo de São Paulo, é questionado na linha de frente de concessões rodoviárias. Dados recentes comparam seu desempenho como ministro da Infraestrutura e como governador, frente a outros gestores, e apontam resultados mistos em termos de quilômetros concedidos e volumes de investimento.

Durante a gestão Bolsonaro, entre 2019 e 2022, Tarcísio leiloou cinco concessões federais, totalizando cerca de 3.100 km de estradas. Ao deixar o cargo para concorrer ao governo paulista, o atual governador substituiu com mais um leilão, elevando o total para aproximadamente 3.900 km.

No governo Lula, iniciado em 2023, o Ministério dos Transportes realizou 23 leilões de rodovias, somando 10 mil km de estradas até abril deste ano. A meta para 2026 é alcançar novas rodadas até dezembro, com o total podendo superar 14 mil km, o que supera em mais de três vezes o que houve na gestão anterior.

Como governador de São Paulo, Tarcísio promoveu seis certames entre 2019 e 2022, mais do que Doria/Garcia, porém a soma de malha repassada às concessionárias foi menor do que a transferência realizada pelo governo estadual anterior. Analistas destacam que o volume não é o único indicador de eficiência.

O Palácio dos Bandeirantes defende que comparar apenas extensão de malha ou valores arrecadados não mede a eficiência dos projetos. Segundo o governo, é preciso considerar desempenho, qualidade do serviço e segurança viária para avaliar as concessões.

Entre as mudanças de modelo, a gestão paulista utilizou PPP patrocinada em dois dos seis lotes leiloados, em que o Tesouro cobre parte dos custos ao longo de 30 anos. A estratégia contrasta com o modelo anterior, que dependia mais da arrecadação de pedágios para sustentar as obras.

Especialistas apontam que a PPP patrocinada pode ser justificável quando ativos não geram receita suficiente para financiar as obras exigidas. Em março, o governo citou vantagens em manter modicidade tarifária em empreendimentos menos rentáveis.

Entre os trechos contemplados pelos contratos, destacam-se o Lote Litoral Paulista, com rodovias como a Mogi-Bertioga, e o Lote Paranapanema, que envolve parte da Raposo Tavares. Nesses dois lotes, o governo comprometeu desembolsos anuais de quase R$ 453 milhões por 30 anos.

A discussão envolve também a comparação entre o desempenho de Tarcísio como ministro e como governador, frente a pares como Doria e Garcia. A avaliação final envolve indicadores de entrega, custos, prazos e impactos logísticos para a população.

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