- Operação da Polícia Civil de São Paulo mira o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, suspeito de fraude em contrato com a prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões para instalação de pontos de wi‑fi.
- A polícia aponta irregularidades na contratação, na execução do serviço e possível desvio de recursos; a prefeitura afirma colaborar com as investigações.
- Aliados do presidente Lula repercutiram o caso nas redes; Lindbergh Farias afirmou que o cerco está se fechando e Guilherme Boulos criticou o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.
- Documentos revelados indicam negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiar o filme, com pagamentos a terceiros e ao menos R$ 61 milhões já transferidos, parte para um fundo no Texas.
- O relatório da polícia cita financiamento cruzado ilícito e aponta possível uso de recursos públicos na produção de Dark Horse, com orçamento estimado entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões; Flávio Bolsonaro disse que a operação não tem relação com o filme.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta segunda-feira, operação contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso envolve suspeita de fraude em contrato com a prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi, no valor de 108 milhões de reais.
A investigação aponta irregularidades na contratação e na execução do serviço, além de possível desvio de recursos públicos. A prefeitura afirmou que coopera com as investigações e nega irregularidades. Karina Ferreira da Gama atua ainda como sócia da Go Up Entertainment, produtora ligada ao projeto.
Segundo apurações, há indícios de financiamento cruzado ilícito relacionado ao filme, com possível desvio de verbas para a produção de Dark Horse. O orçamento do filme é estimado entre 8 e 20 milhões de reais, conforme relatório policial citado pelo Valor.
Desdobramentos políticos
Aliados de Lula inflaram a repercussão das suspeitas nas redes sociais. O deputado Lindbergh Farias alegou que o cerco está se fechando e pediu cooperação internacional para a investigação, citando a Interpol. Também afirmou que há um seguimento de dinheiro ligado a Flávio Bolsonaro.
A deputada Gleisi Hoffmann compartilhou as informações nas redes, ampliando a leitura de que há articuladores próximos à família Bolsonaro na estrutura das supostas fraudes. Lindbergh mencionou ainda a necessidade de rastrear 61 milhões de reais associados a personagens ligados ao caso.
Flávio Bolsonaro afirmou, ao que foi apurado, que a operação não tem relação com o filme Dark Horse. Em evento no Rio de Janeiro, o senador descartou peso político direto da ação sobre a cinebiografia.
Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, criticou o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, apontando possível envolvimento de contratos suspeitos com a gestão municipal, em tom de oposição política, sem atribuição nominal direta à família Bolsonaro.
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