- Nilza Valéria Zacarias, jornalista e coordenadora da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, afirma que o campo evangélico no Brasil é diverso e não se resume à direita.
- Em entrevista à RFI, ela critica o uso político da fé, defende a laicidade do Estado e diz que pautas como feminismo e justiça social têm respaldo bíblico.
- A conselheira especial da Presidência aponta que a maioria dos evangélicos é formada por mulheres negras, pobres e moradoras de periferia, e que não há ligação automática com Bolsonaro.
- Sobre o diálogo com o governo Lula, destaca encontros com a primeira-dama, com sete reuniões em 2025, voltados a temas como feminicídio e políticas públicas.
- Ela ressalta que identidade religiosa não define posição política e que evangélicos estão em disputa, defendendo espaço para diferentes manifestações dentro do movimento.
Nilza Valéria Zacarias, jornalista e coordenadora da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, afirma que o campo religioso no Brasil vive disputa aberta e não deve ser associado automaticamente à direita. Em entrevista à RFI em Paris, ela critica o uso político da fé e defende diálogo com o governo Lula, destacando que pautas como feminismo e justiça social também têm respaldo bíblico.
A conselheira especial do governo atual afirma que a maioria dos evangélicos no país são mulheres negras, moradoras de periferias, e que não se veem representadas por lideranças tradicionais. Ela aponta a apropriação da linguagem religiosa por grupos organizados no Congresso, em especial pela chamada bancada evangélica, e reforça a importância da laicidade histórica do protestantismo.
Nilza ressalta que identidade religiosa não determina posição política. Ela cita que não se restringe a uma única identidade, combinando fé com outras marcas, como ser mulher negra e profissional da comunicação. Em sua visão, temas morais influenciam o voto, mas não definem alinhamento partidário de toda a comunidade evangélica.
Laicidade?
Para a pesquisadora, a laicidade do Estado não ameaça a religião e protege todas as crenças. Ela compara a adesão a uma fé com a participação em um clube: cada comunidade segue regras próprias, sem impor pautas externas. Segundo ela, há mudanças no comportamento do eleitorado, inclusive entre evangélicos.
Diálogo com o governo Lula
A aproximação entre lideranças evangélicas progressistas e o governo é vista como positiva. Ela aponta que encontros com a primeira-dama, Janja, tiveram papel institucional e social, com foco em temas como feminicídio. O diálogo é apresentado como um caminho constante para políticas públicas que envolvam as comunidades de fé.
A trajetória de Nilza é citada para ilustrar a convivência entre fé e engajamento político à esquerda. Ela destaca que ser evangélica não é sinônimo de posição conservadora e lembra a diversidade de identidades dentro da comunidade. A participação evangélica progressista é descrita como uma realidade em amadurecimento, sem reduzir a complexidade do movimento.
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