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Contribuintes de Miami podem pagar US$ 400 milhões por imóveis de luxo

Condado de Miami-Dade pode arcar com $400m na compra de terreno em Fisher Island, demolindo depósito de combustível crucial ao porto de cruzeiros

The Fisher Island neighborhood in Miami, Florida.
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  • A prefeitura de Miami-Dade aceitou pagar $400 milhões pela propriedade em Fisher Island à HRP Group, para manter o terminal de combustível usado pela indústria de cruzeiros; a HRP comprou o terreno por $180 milhões em setembro do ano passado.
  • A venda envolve demolir o depósito de combustível da época da Depressão e limpar o local antes de erguer torres de condomínios, num projeto estimado em $2 bilhões.
  • A possível transferência suscitou risco para o setor portuário local, já que o terminal de combustível é crucial para o Porto de Miami; a distância até o maior terminal alternativo de abastecimento é de 22 milhas até Fort Lauderdale.
  • Em 18 de setembro houve reunião dos comissionados, que votaram para instruir o secretário de Justiça a iniciar ações para impedir a transferência da área, com base em domínio eminente.
  • Fica, Inc. e Ficar Island Club entraram com ação para tentar anular o acordo entre HRP e o condado; críticas ao negócio foram feitas por líderes comunitários, alegando prejuízo aos cidadãos de Miami-Dade.

O condado de Miami-Dade avançou para adquirir um terreno em Fisher Island por 400 milhões de dólares, meio de uma disputa entre o grupo HRP e autoridades locais. A venda envolve a desapropriação de um terreno que abriga um depósito de combustível associado ao setor de cruzeiros. A transação, anunciada após meses de negociações, pode impactar o futuro uso da ilha e o custo aos contribuintes.

O terreno, localizado na 1 Fisher Island Drive, ficou no centro de uma disputa entre o HRP Group, uma construtora sediada em Chicago, e autoridades do condado. O HRP comprou o terreno por 180 milhões de dólares em setembro do ano anterior, com planos de erguer torres de condomínios avaliadas em 2 bilhões de dólares. A operação envolve a demolição do depósito de combustível e a responsabilidade por eventual limpeza ambiental, necessário antes de qualquer construção.

A prefeitura de Miami-Dade chamou para debate emergencial a situação do depósito, que atende às linhas de cruzeiro da região. O imóvel fica a cerca de 22 milhas do terminal de Fort Lauderdale, o que ampliaria riscos de deslocamento caso o depósito fosse desativado. Em setembro, a compra motivou uma tentativa de impedir a transferência com base em poderes de domínio eminente.

A novela legal ganhou fôlego com ações movidas pela Fisher Island Community Association (Fica) e pela Fisher Island Club (FIC), que contestaram a validade da tentativa de tomada de parte do terreno por parte do governo. Em março, o condado apresentou defesa para afastar as acusações apresentadas pelos grupos comunitários. Acordo entre HRP e o condado, firmado recentemente, indicaria venda por mais que o dobro do preço pago, ainda sem iniciar a construção.

Críticas surgiram entre moradores e lideranças locais, que apontam prejuízos ao sabor de interesses públicos. Diretores de Fica afirmam que o negócio favorece a HRP e deixa perto da ilha um ativo essencial para a operação do porto de cruzeiros. Calcula-se que o negócio possa gerar ganhos para a empresa e custos aos cofres públicos, caso haja decisão judicial contrária aos termos acordados.

As autoridades não divulgaram comentários detalhados sobre a negociação ou sobre a viabilidade de recursos legais. O gabinete da prefeita, assim como representantes da Port of Miami, não responderam a pedidos de entrevista. O status do acordo ainda depende de avaliação judicial e de eventuais contestações apresentadas pelas partes envolvidas.

Enquanto o impasse continua, moradores criticam o custo potencial para os cofres públicos. Um líder comunitário rejeita a lógica de pagar 400 milhões por um site que envolve ativos estratégicos para o setor de cruzeiros, ressaltando a importância do depósito de combustível para a operação portuária local. A disputa segue com desdobramentos legais e administrativos a serem definidos nos próximos meses.

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