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Karina Gama, produtora do Dark Horse, promovia literatura cristã e comanda contrato de Wi‑Fi com a prefeitura

Operação investiga contrato de R$ 157 milhões da Prefeitura de São Paulo com ONG de Karina Gama para instalação de wi‑fi na periferia, com indícios de direcionamento

A dona do Instituto Conhecer Brasil (ICB), Karina Ferreira Gama, e o deputado federal Mario Frias (PL), no dia da diplomação dele como deputado federal — Foto: Reprodução/Redes Sociais
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  • Karina Ferreira da Gama, alvo de mandados de busca nesta segunda, é dona do Instituto Conhecer Brasil (ICB), contrato de R$ 157 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar wi‑fi gratuito na periferia.
  • O ICB começou a fechar contratos com a prefeitura em 2018, incluindo o Encontro Literário IDE, com emendas de vereadores evangélicos para financiar o evento.
  • Em 2024, a gestão de Ricardo Nunes abriu chamamento público para 5 mil pontos de wi‑fi; o contrato de R$ 108 milhões foi entregue ao ICB, que terceirizou serviços a empresas menores.
  • No primeiro ano de vigência, o contrato teve pelo menos R$ 40 milhões pagos; metas previam instalação em até 12 meses, mas passaram por três aditivos e o prazo foi estendido até 2029, com 3.200 pontos instalados até agora.
  • A Polícia Civil investiga possível direcionamento do chamamento, falta de capacidade técnica, sobrepreço, pulverização de recursos via subcontratações e uso de recursos públicos na produção cinematográfica ligada a Karina, que também mantém ligações com a produtora do filme Dark Horse e com campanha de Mário Frias.

Karina Ferreira da Gama, alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Civil na manhã desta segunda-feira, é propietária do Instituto Conhecer Brasil (ICB). O instituto tem contrato de 157 milhões de reais com a Prefeitura de São Paulo para instalar wi-fi gratuito na periferia da cidade.

A investigação envolve indícios de falhas no chamamento público da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e de possível direcionamento do certame. A Polícia Civil apura uso indevido de recursos públicos e subcontratações para financiar atividades da produtora ligada a Karina Gama.

O período de atuação do ICB com a prefeitura teve início em 2018, quando começaram os primeiros contratos. Em 2024, durante a gestão de Ricardo Nunes, o órgão venceu o chamamento para instalar 5 mil pontos de wi-fi, contratando a ONG para gerir o projeto.

Mudança de tema: detalhes do contrato e prazos

Ao longo de 2024, o contrato anual saltou de 108 milhões para 157 milhões. A meta de instalar 5 mil pontos era para ser cumprida em até 12 meses, mas o andamento ficou aquém do previsto, gerando três aditivos que estenderam o prazo até 2029.

A prefeitura informou que o chamamento permaneceu aberto por 30 dias e que a ONG terceirizou parte dos serviços a microempresas. Até o momento, a cidade contabiliza 3.200 pontos instalados. A meta para o fim deste ano ainda está operando como objetivo.

Contexto adicional: vínculos com cinema e política

Karina Gama também atua na produção de cinema e está envolvida na realização de um filme sobre Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse, com participação associada de ex-políticos. A GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Ltda, ligada a Karina, também aparece como sede em endereço comum com o ICB.

Em 2022, a GO7 prestou serviços para a campanha do deputado Mário Frias (PL). Em 2023, Frias destinou emendas para projetos sociais recolhidos pela ONG. Karina Gama informou à imprensa que desconhece algumas notas citadas na apuração.

Situação atual e próximos passos

A investigação segue sob coordenação do Ministério Público, com participação de representantes da Polícia Civil. A promotora Marina Pedersolli mencionou possíveis irregularidades, como pulverização de recursos e pagamentos por serviços não executados.

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